Segundo o jornal britânico The Guardian, os ensaios clínicos para desenvolvimento de uma vacina contra o vírus ébola, levados a cabo pelas farmacêuticas Merck e NewLink (outros estudos levados a cabo por outras empresas) no Hospital Universitário de Geneva, na Suíça, estão suspensos em todos os 59 voluntários sujeitos aos testes. A suspensão é uma medida de precaução depois de quatro pacientes se terem queixado de dores nas articulações das mãos e dos pés. A paragem deverá durar até 5 de Janeiro, data em que 15 voluntários retomarão os testes depois de exames para confirmar que os sintomas agora apresentados são "Benignos e temporários", adiantou fonte do hospital esta quinta-feira.

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Acrescentando: "Eles estão todos bem e a ser monitorizados regularmente pela equipa médica que está a levar os estudos a cabo".

Este revés na procura de uma vacina para a doença surge numa altura em que as autoridades de saúde na Serra Leoa descobriram vários corpos numa região remota de exploração de diamantes, aumentando o receio de um pico no número de mortes não divulgadas. A Organização Mundial de Saúde afirmou tratar-se de um "Cenário sinistro" aquele que foi encontrado no distrito de Kono, no leste do país. A Serra Leoa ultrapassou já a Libéria como o país com mais casos de ébola na África ocidental, com um total de 7.897 infecções confirmadas desde o início do surto. A mesma organização revelou que, naquele país, em pouco mais de 11 dias duas equipas enterraram 87 cadáveres, incluindo o de uma enfermeira, o de o condutor de uma ambulância e o de um empregado de limpeza, encarregado de remover os corpos.

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A equipa de intervenção encontrou ainda 25 pessoas, mortas nos últimos cinco dias, amontoadas numa ala encerrada do hospital local. Kono, que tem mais de 350 mil habitantes, tinha reportado 119 casos até 9 de Dezembro.

Um porta-voz da Cruz Vermelha na Serra Leoa disse que "Isto apenas mostra quão rápida e facilmente o vírus se pode propagar". O mesmo responsável afirmou que este novo pico do surto parece ter começado com um "Caso importado" e um contacto com "Uma família que se recusou a acreditar que os seus pais tinham ébola", iniciando uma nova rede de infeções que se propagou rapidamente. Até ao momento o número de mortes em Kono é baixo quanto comparado com outros distritos como Bombali (890 mortes), Port Loko (973) e Freetown (2.365). Ainda assim, as autoridades da Serra Leoa decretaram um período de quarentena de duas semanas em Kono, em vigor até 23 de Dezembro. #Ébola