Raif Badawi, escritor saudita de 31 anos, foi condenado em maio do ano passado a 10 anos de prisão, a uma multa de 226 mil euros e a 1000 chicotadas, pelos crimes de insulto ao Islão, não obediência ao monarca e apostasia (renúncia consciente da #Religião). Segundo a sentença, Badawi deverá ser flagelado durante 20 semanas, sofrendo 50 chicotadas por semana, até atingir o total de 1000. As primeiras 50 chicotadas foram infligidas no dia 9 de Janeiro de 2015 em frente à mesquita de Al-Jafali, em Jidá, a segunda maior cidade da Arábia Saudita. Hoje, 16 de Janeiro, estava marcada a segunda flagelação, no mesmo local da primeira. No entanto, segundo informação da Amnistia Internacional, a execução da pena foi adiada por razões médicas.

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A mulher do ativista, Ensaf Haidar, afirmara à Amnistia Internacional que temia que o marido não conseguisse suportar a segunda flagelação, devido ao enorme sofrimento físico em que se encontrava após a primeira execução da pena. As graves ofensas de que é acusado Badawi relacionam-se com as opiniões que exprimiu no blogue Saudi Free Liberals Forum, encerrado pelas autoridades em 2012. Badawi foi preso por defender a liberdade de opinião e religião, em declarações como as seguintes:

  • "Logo que um pensador comece a revelar as suas ideias, encontrará centenas de fatwas [preceitos legais islâmicos, decretados por autoridade religiosa] acusando-o de ser um infiel apenas porque ele teve a coragem de discutir alguns tópicos sagrados. Estou muito preocupado relativamente aos pensadores árabes que vão emigrar em busca de ar fresco e para escapar à espada das autoridades religiosas."
  • "O secularismo respeita toda a gente e não ofende ninguém (…) É a solução prática para levar os países (incluindo o nosso) do terceiro mundo para o primeiro mundo."

A primeira flagelação de Badawi ocorreu apenas 1 dia após o atentado ao Charlie Hebdo, que motivou manifestações ao nível global com o slogan "Je suis Charlie" e a condenação do ato por parte das autoridades sauditas.

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(Citações traduzidas de inglês para português a partir do site do The Guardian)