Charlie Hebdo é o seu nome completo (hoje, porque há data do seu nascimento dava pelo nome de Hara-Kiri Hebdo e antes de Charlie chamou-se ainda L'Hebdo Hara-Kiri). Nasceu em Fevereiro de 1969, na França, tendo como pais os directores da revista Hara-Kiri, uma publicação mensal, que já na altura era conhecida dos franceses como sendo bête et méchant (em português, má e estúpida). Desde de logo se revelou uma publicação satírica feita de cartoons, polémicos e com muito humor. Vinha ao mundo todas as semanas.

Desde muito novo mostrou-se uma criança problemática. Em 1970, apenas com um ano de idade, é banido das bancas depois de uma publicação em que, no seu jeito irreverente, brincou com a morte do General Charles de Gaulle.

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Nessa semana, na capa da revista, podia ver-se uma foto de um desastre ocorrido 8 dias antes no sul de França (e onde morreram 146 pessoas), acompanhado das frases "Baile trágico em Colombey. Uma morte". Para contornar a sua fama de criança mal comportada e poder voltar às bancas, os seus pais decidiram rebaptiza-lo. Surgia assim o Charlie Hebdo. O nome foi inspirado no de outra revista, a Charlie Mensuel. Depois deste incidente conseguiu manter-se nas bancas até 1981 sem ter grandes conflitos, ainda assim em Dezembro desse ano a publicação é encerrada.

11 anos mais tarde, em Julho de 1992, Charlie Hebdo regressa para fazer das suas. E é durante este segundo período da sua vida que começam os atritos com os fundamentalistas islâmicos. O primeiro acontece numa das edições de Fevereiro de 2006, quando decide reproduzir alguns dos cartoons publicados pelo jornal dinamarquês Jyllands Posten.

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A publicação destes cartoons já havia provocado ameaças de morte por parte dos fundamentalistas islâmicos aos jornalistas dinamarqueses. Ao Charlie esta publicação valeu-lhe muitos números vendidos, outras tantas críticas e um processo em tribunal (do qual acabou absolvido).

O primeiro ataque ao Charlie acontece a 2 de Novembro de 2011. São lançadas bombas incendiárias na sua redacção e o site é atacado por hackers. Acredita-se que este ataque esteja relacionado com uma edição especial que teve com título "Charia-Hebdo" (numa alusão à lei Sharia, uma das leis islâmicas) e em que Maomé surgia no cabeçalho como director. Mas nada calava o Charlie. Em 2012 voltou a publicar uma série de cartoons satíricos sobre Maomé, obrigando a França a reforçar a segurança das suas embaixadas nos países Muçulmanos e colocar polícias a proteger a redacção.

Janeiro de 2015. Bem, o que aconteceu em Janeiro de 2015 já é do conhecimento de todos. Dois homens encapuzados entram na redacção do Charlie Hebdo vitimando 12 pessoas. Até agora continuam a monte. Mais uma vez o Charlie promete não se calar, avançando que na próxima quarta-feira haverá uma edição de 1 milhão de exemplares.