A agência de notícias France Press anunciou na noite desta sexta-feira que os rebeldes pró-russos preparam, nas próximas horas, uma ampla ofensiva na zona Leste da Ucrânia. Alexander Zakharchenko, líder da auto-proclamada república de Donetsk, referiu que "não haverá da nossa parte tentativas para negociar uma trégua com as autoridades ucranianas", acrescentando que "vamos lançar uma ofensiva nas fronteiras da região de Donetsk".

O exército ucraniano anunciou também esta sexta-feira que nas últimas 24 horas morreram três soldados e ficaram feridos cerca de 50 militares, depois de vários combates perto de Donetsk. Recorde-se que Petro Poroshenko, Presidente da Ucrânia, convocou uma reunião com o seu Estado-Maior para organizar uma resposta ao que considera ser uma "agressão" da Rússia. Em comunicado, os responsáveis do Ministério da Defesa ucraniano referiram que a reunião tem como objectivo "reagrupar as forças [armadas ucranianas] e pôr fim à agressão".

O porta-voz da presidência adiantou ainda que esta é a segunda reunião deste género que Poroshenko realiza nas últimas horas, pois a ameaça dos pró-russos está a avançar em larga escala. As más relações entre ucranianos e russos tomaram proporções maiores depois de um atentado a um autocarro ocorrido ontem na região de Donetsk, que provocou a morte a 13 pessoas.

As autoridades ucranianas culpam os separatistas russos, mas Moscovo refuta as acusações e atira a culpa do "crime monstruoso" para as forças leais ao presidente ucraniano. "Estamos consternados com o novo crime monstruoso em Donetsk, onde na manhã de 22 de Janeiro dezenas de civis pacíficos morreram ou ficaram feridos no bombardeamento das forças ucranianas a uma paragem de autocarro. Está a tornar-se óbvio que as perdas humanas não vão parar o partido da guerra em Kiev e os seus apoiantes estrangeiros", referiu Serguei Lavrov, Ministro dos Negócios Estrangeiros, em comunicado emitido recentemente. Serguei Lavrov pediu ainda uma "investigação urgente" ao atentado, considerando que tal situação é uma "provocação grosseira destinada a minar os esforços de paz".