O partido de extrema-esquerda Syriza venceu este domingo as eleições gerais na Grécia. O líder Alexis Tsipras já tomou posse como primeiro-ministro, mas antes fez questão de garantir a coligação com a força política dos Gregos Independentes, liderada por Panos Kammenos. Este partido, da direita conservadora, conquistou 4,75% dos eleitores, elegendo 13 deputados. Com esta coligação fica garantida a maioria absoluta. Os analistas não veem com bons olhos este entendimento, pois à partida o único ponto em comum é serem anti-troika.

No discurso de vitória, o líder do Syriza afirmou que os gregos "escreveram História" ao escolherem abandonar o plano da troika, realçando que a vitória do partido de extrema-esquerda "é um sinal importante para uma Europa em mudança".

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Perante milhares de pessoas que se juntaram na zona central de Atenas para ouvir o discurso de vitória, Alexis Tsipras rematou afirmando que "o veredicto do povo grego significa o fim da troika" no país. O grande derrotado destas eleições foi o partido do ex-governo grego, o Nova Democracia, que arrecadou 28% dos votos, elegendo 78 deputados. A campanha do Syriza foi feita contra austeridade vinda da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional, na sequência de um empréstimo de 240 mil milhões de euros que foi concedido à Grécia.

As reações têm chegado de toda a Europa e a chanceler alemã Angela Merkel fez saber que espera que o novo Governo grego cumpra e respeite os compromissos assumidos pelos antecessores. A Comissão Europeia, através do Twitter do presidente Jean-Claude Juncker, revelou um excerto da carta enviada a Alexis Tsipras, revelando que "promover o crescimento e o emprego sustentável, garantindo a responsabilidade orçamental, é um desafio comum da União Europeia.

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A Comissão Europeia mantém-se pronta para continuar a apoiar a Grécia na conquista destes objectivos".

Reações em Portugal

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, reagiu à vitória do partido de esquerda radical na Grécia, comparando a campanha do Syriza a um "conto de crianças". Passos faz questão de separar Portugal da situação grega, afirmado que "a Grécia é um caso muito especial, porque foi o único país no seio da UE em que foi preciso fazer um segundo programa e não se tem a certeza de que um terceiro não venha a ser necessário". Num outro registo, o Bloco de Esquerda considera que os resultados do Syriza são a "vitória da dignidade contra a austeridade" e da "democracia contra a chantagem". O PCP destaca a "clara derrota dos partidos que têm governado a Grécia e que são, com a União Europeia, os responsáveis pelo desastre económico e social" no nosso país.

Nos resultados finais das eleições legislativas gregas, o Syriza elegeu 149 deputados, os conservadores da Nova Democracia 78 e o partido neonazi Aurora Dourada 17.O partido centro-esquerda To Potami elegeu igualmente 17 deputados.

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Os comunistas do KKE 15 deputados; os Gregos Independentes 13 deputados e os socialistas do Pasok 13 deputados.