É oficial: tanto a Agência Espacial (NASA) como a Agência Oceânica e Atmosférica Norte-Americana (NOAA) confirmam que 2014 foi o ano mais quente desde que há registos (1880). O ano recém-terminado ultrapassa todos os recordes até agora, incluindo 1998, 2005 e 2010. Aliás, salienta a NASA, tirando 1998, os 10 anos mais quentes da história (recente) ocorreram depois do ano 2000. O mais surpreendente dos dados de 2014 é que nem sequer foi ano de El Niño, o fenómeno natural que habitualmente faz aumentar a temperatura global. "É a primeira vez desde 1997 que o ano mais quente não é um ano de El Niño, uma vez que os últimos três foram", disse Gavin Schmidt, director do Instituto Goddard para Estudos Espaciais da NASA.

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O anúncio conjunto foi feito esta manhã (nos Estados Unidos) pelas duas agências, que já tinham colaborado no estudo sobre 2013, que também foi quente, mas não tanto. A apresentação demonstrou que os dados de ambas são praticamente idênticos. Os novos dados confirmam a análise preliminar levada a cabo pela Agência Meteorológica do Japão, que também havia pronunciado 2014 como o ano mais quente nos seus registos, que vão até 1891. O centro britânico Hadley ainda não revelou os seus números em relação ao ano passado.

Os resultados de 2014, dizem as agências, devem-se em grande parte aos oceanos. Nunca a temperatura à superfície do mar tinha sido tão quente como a agora verificada. Aliás, os valores registados em terra não bateram recordes (tirando algumas excepções, como a Grã-Bretanha), mas o aquecimento do oceano foi mesmo muito elevado.

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Estatisticamente falando, 2014 não foi muito superior aos anteriores anos mais quentes, tendo-os superado apenas por algumas décimas de graus centígrados. O que quer dizer que se o El Niño começar cedo este ano, como é previsto por alguns especialistas, um novo recorde pode estar a caminho. "Quando entramos numa tendência de aquecimento, vamos ter novos recordes com alguma frequência, de forma muito regular. É isso que podemos esperar e é isso que vai continuar a acontecer, porque o ritmo do crescimento global não se tem, realmente, alterado", concluiu Schmidt. #Ambiente