O Exército Ucraniano admitiu esta Quinta-feira que foi forçado a retirar do terminal do aeroporto de Donetsk, o seu principal bastião na batalha que se arrastava desde Maio do ano que passou e que se crê poder vir a definir quem controla a cidade que é a maior e mais importante da região de Donbass. No Domingo estas mesmas forças haviam declarado ter dominado o aeroporto, depois de efetuarem uma nova ofensiva com o apoio de carros de combate. No entanto, um vigoroso contra-ataque dos rebeldes pró-russos obrigou as tropas de Kiev a finalmente cederem terreno e recuarem para novas linhas nos terrenos envolventes. Sendo uma reviravolta importante, sucede no mesmo dia em que porta-vozes da Alemanha, França, Rússia e Ucrânia vieram dizer que existia uma nova linha de demarcação para a frente de combate, que seria parte de uma nova tentativa de terminar os confrontos, que já tanto fizeram para destabilizar a situação militar na Europa e revitalizar o antigo espírito da Guerra Fria.

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Apesar de os combates ainda se fazerem sentir um pouco por toda a região leste da Ucrânia, esta batalha em especial tornou-se num símbolo para ambos os lados, com toda a região do aeroporto, incluindo a cidade de Donetsk, a sofrer pesadas salvas de artilharia, com baixas a fazerem-se sentir tanto entre os contendores, como entre os civis (aliás, na semana passada uma granada havia atingido um autocarro, matando 13 civis e causando grande comoção internacional). O aeroporto tornou-se num campo de ruínas queimadas, onde os soldados apeados se caçam num estranho jogo de gato e rato. No entanto, um pelotão de tropas governamentais havia aguentado a posição no terminal durante meses a fio, independentemente do fogo cerrado a que eram sujeitos, e dos parcos reforços. O respeito que ganharam fizeram com que os rebeldes pró-russos os alcunhassem de "ciborgues" pela sua resiliência, e este fim-se-semana os seus sacrifícios pareciam ter dado frutos.

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Infelizmente para eles, os rebeldes conseguiram reunir tropas para um contra-ataque, e novas salvas de artilharia fizeram ceder os pontos fortes, obrigando a uma retirada geral. Os defensores sofreram 6 mortos e mais 16 foram capturados quando uma força de resgate acabou cercada pelos rebeldes.

Os combates levaram ao cancelamento das negociações de paz que deveriam ter ocorrido em Berlim na semana que passou. Também existem acusações de Kiev e da NATO de que Moscovo teria mais de 9000 homens no Leste da Ucrânia, e de que estaria a reunir ainda mais pessoal e equipamento para solidificar ganhos e, quiçá, novas operações. Entretanto, as partes envolvidas nas negociações já vieram anunciar um congelamento da linha da frente, seguindo o Acordo de Minsk, de Dezembro do ano passado. Existe esperança de que assim se consiga um novo cessar-fogo e até uma decisão para estabelecer negociações mais séries na capital do Cazaquistão, Astana, mas tudo está dependente de como a situação se desenvolve no terreno.

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Entretanto, morreram mais de 4800 pessoas desde que a Guerra de Donbass se iniciou e já existem mais de um milhão de refugiados.