Autoridades indonésias preparam-se neste momento para executar um total de 11 indivíduos acusados de diversos crimes de narcotráfico, entre os quais se encontram 4 indonésios, assim como 2 australianos e outros 5 cidadãos de França, Brasil, Gana e Nigéria. A decisão surge após as autoridades dos países de origem terem feito pedidos oficiais de clemência, que foram agora recusados pelo presidente indonésio, Joko Widodo. Uma vez que estes pedidos não podem ser repetidos após recusa presidencial, estão assim afastados quaisquer obstáculos à execução dos indivíduos em questão. A condenação à morte e execução de estrangeiros na Indonésia tornou-se especialmente visível após no início de Janeiro, 6 cidadãos do Brasil, Holanda, Vietname, Malawi, Nigéria e Indonésia terem sido executados, mesmo após pedidos de clemência feitos pelas autoridades de Brasília e Amesterdão, que responderam com a retirada dos seus embaixadores em Jacarta.

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Não obstante as tendências reformadoras que o governo indonésio tem apresentados nos últimos anos, sobretudo desde a eleição do Presidente Widodo, a verdade é que se vê a pena de morte como uma forma aceitável de aplicar justiça, incluindo a estrangeiros. O próprio Widodo afirmou várias vezes que o país sofre uma crise relacionada com drogas, que causa a morte de cerca de 50 pessoas todos os dias, fazendo da mesma uma situação séria que deverá ser enfrentada com punho de ferro. A isto acrescenta que nunca haverá compromissos para com os narcotraficantes, independentemente das suas origens ou intenções. A atitude extrema para com este problema levantou vozes de protesto por todo o país, que no entanto não parecem capazes de alterar as diretivas presidenciais.

Os líderes do Brasil e da Holanda, contudo, admitem a sua fúria para com as execuções dos cidadãos dos seus países, com Dilma Rousseff a descrever-se como "ultrajada", e com Bert Koenders, Primeiro-Ministro holandês, a afirmar que estas foram "mortes tristes".

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No entanto, pouco poderá ser efeito para evitar as próximas execuções.

Os dois australianos cuja clemência foi agora recusada foram identificados como Andrew Chan e Myuran Sukumaran, e haviam sido presos em 2005, na posse de 8kg de heroína. Aparentemente iriam tentar traficá-la para fora da Indonésia. Já o francês Serge Atlaoui teria o seu próprio laboratório de ecstasy, que foi destruído aquando da sua prisão em 2005.