Que a Arábia Saudita é um dos países onde as mulheres têm menos direitos já todos sabemos. As mulheres sofrem inúmeras restrições: não poder conduzir, não poder viajar e ter de usar véu em público são apenas três exemplos. O que não sabíamos é que o país pretendia organizar uma edição dos jogos olímpicos segregada por sexo. A ideia era separar atletas masculinos e femininos.

Em declarações a um jornal francês, o príncipe Fahad bin Jalawi al-Saud - um consultor para o Comité Olímpico da Arábia Saudita - sugeriu que os jogos olímpicos fossem disputados em zonas geográficas diferentes consoante o sexo dos participantes.

Publicidade
Publicidade

Os homens ficariam sediados na Arábia Saudita e as mulheres no Barém. O príncipe afirmou que a sociedade árabe é "muito conservadora" e que tem dificuldade em aceitar que as mulheres possam competir desportivamente. No país é proibido que as mulheres vistam roupas desportivas em público, o que tem dificultado a presença da equipa feminina em determinados eventos desportivos.

O presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, já divulgou um comunicado no qual explica que será negada permissão à Arábia Saudita para organizar um evento olímpico se não forem cumpridas as regras relativas à discriminação. O COI não permite qualquer tipo de discriminação e Thomas Bach declarou que todos os países terão que assinar um compromisso de "não-discriminação" para poderem ser a sede das olimpíadas.

Publicidade

A primeira, e única, vez que as mulheres da Arábia Saudita participaram nos Jogos Olímpicos foi no ano de 2012, em Londres. As atletas participantes representaram as modalidades de judo e atletismo. Contudo, as reacções foram bastante negativas no país, sendo que os meios de comunicação social árabes apelidaram-nas de "prostitutas" por terem quebrado as regras da doutrina islâmica. A sua participação só foi possível porque o COI pressionou o governo saudita.

No país o desporto é completamente proibido para as mulheres. A disciplina de educação física não consta nos currículos escolares das escolas públicas para raparigas e as mulheres são proibidas de participar em eventos desportivos. Em Dezembro de 2014, uma mulher saudita foi presa por assistir a um jogo de futebol disfarçada de homem.