Doze pessoas mortas e mais de 20 feridos, alguns dos quais em estado crítico. Até ao momento, é este o balanço feito pelas autoridades depois de, esta manhã, dois homens armados terem atacado a redacção do Charlie Hebdo, uma publicação satírica, em Paris. Entre as vítimas contam-se o director do jornal e alguns dos cartoonistas mais marcantes. Os autores do ataque encontram-se, neste momento, a monte.

De acordo com vários testemunhos locais, divulgados pelos media, o ataque terá ocorrido por volta das 11h30 locais (menos uma hora em Portugal) e existem fortes suspeitas de que se trate de um atentado motivado pelo fanatismo islâmico.

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Em declarações ao website Humanité - que outros órgãos de comunicação já ecoaram - uma das pessoas que trabalha no Charlie Hebdo garantiu que os atacantes tinham reivindicado "ser da al-Qaeda".

Ao que a AFP conseguiu apurar, os agressores estavam protegidos por máscaras e terão usado armas de disparo automático. Depois de atacarem a redacção, envolveram-se ainda em confrontos com as forças de segurança, acabando por matar dois polícias. Todas as outras vítimas mortais eram trabalhadores do jornal. Os autores do ataque, que fugiram de carro, continuam a monte neste momento, à medida que a polícia intensifica as buscas na região de Paris.

Em declarações aos media, o presidente francês, François Hollande, falou numa "barbárie excepcional" e num "ataque à liberdade de expressão", acrescentado que todos se sentem "ameaçados" depois desta situação.

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Entretanto, sabe-se que as autoridades estão agora apostadas em tentar proteger as diversas redacções de Paris, na tentativa de evitar novos ataques.

Recorde-se que o Charlie Hebdo é um semanário polémico que se tornou conhecido em França pelo modo irónico com que costuma abordar a actualidade, bem como o radicalismo islâmico. Em 2011, a redacção parisiense já tinha sido alvo de uma bomba que explodiu no local depois de ter sido publicada uma caricatura do profeta Maomé. Muito recentemente, esta publicação tinha divulgado no Twitter uma caricatura de Abu Bakr al-Baghdadi, o líder do autoproclamado Estado Islâmico do Iraque e da Síria (ISIS).