Os dois responsáveis ainda fugidos do ataque de Quarta-feira ao jornal parisiense Charlie Hebdo, os irmãos de ascendência argelina Cherif e Said Kouachi, foram esta manhã identificados na povoação de Dammartin-en-Goele, a noroeste de Paris. Existem relatos de ter havido um tiroteio e de os fugitivos terem feito pelo menos um refém. As autoridades francesas rapidamente moveram milhares de homens e cinco helicópteros para cercar o local. Entretanto o deputado local, Yves Albarello declarou à imprensa que os dois irmãos terão afirmado o seu desejo de "morrer como mártires", aumentando a problemática para as autoridades, que estarão a tentar encetar diálogo com os homens.

Publicidade
Publicidade

O ataque ao jornal satírico Charlie Hebdo causou 12 mortos, incluindo dois polícias e vários cartoonistas respeitados pelo público francês, assim como 11 feridos, quatro dos quais ainda estão em estado crítico.

Enquanto o cerco em Dammartin-en-Goele se dá, o ambiente de tensão prossegue em Paris. Um atirador solitário, ligado ao mesmo grupo que recrutava voluntários para combater no Iraque em 2008 ao qual pertencera Cherif Kouachi, terá entrado numa loja de produtos judaicos no bairro de Vincennes, armado com uma espingarda automática Kalashnikov. Há relatos de tiroteios e de até 5 reféns feitos por este homem. Novamente a resposta das autoridades não se fez esperar e deu-se início a um cerco policial, ao qual, inclusive, se juntaram elementos do Exército Francês.

Publicidade

Estas situações fazem parte de uma sequência de eventos que têm lançado o caos no centro de França. Já na Quinta-feira se havia dado um outro tiroteio no qual foi morta uma agente da polícia. No entanto ainda não é claro se estas ações fazem parte de um plano concertado por parte de um grupo bem organizado, ou se serão, por outro lado, reações à resposta das autoridades na sequência do atentado de Quarta-feira. Mas pode-se perfeitamente colocar na mesa a ideia de que haveria pelo menos uma célula terroristas pronta para agir em Paris durante os últimos anos. Resta saber a escala da mesma, até porque informações avançadas pelos serviços secretos Iemenitas indicam que os irmãos Kouachi terão ido ao Iémen em 2011 para receber educação religiosa.

Contudo, as suas ações deram origem a um outro fenómeno, pois tem havido uma série de ataques a mesquitas um pouco por todo a França, obrigando a polícia a proteger as mesmas. A juntar a isto, existe a discussão acerca de se as autoridades de diversos países da Europa, sobretudo França e Reino Unido, deveriam procurar uma nova legislação anti-terrorista, o que já preocupou alguns sectores da sociedade, que descreveram a possibilidade como uma cedência à ameaça.