Na passada sexta-feira, centenas de pessoas assistiram ao chicoteamento de Raif Badawi, um blogger saudita que foi condenado a 10 anos de prisão e 1000 chicotadas por ter insultado a política religiosa que vigora no país. As próximas 50 chicotadas estão agendadas para a próxima sexta-feira e a mulher do alvo veio a público afirmar que a saúde do blogger está muito débil e receia que o marido não resista ao próximo castigo físico.

Apesar das contínuas críticas internacionais face a este flagelo, as inúmeras ações com a intenção de travar esta condenação ainda não deram frutos. Vários defensores ativos dos direitos humanos proclamaram já a teoria de que o Islão está a tomar esta atitude para mostrar as consequências que qualquer um pode vir a sofrer caso ouse criticar o poder em vigor.

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Os Estados Unidos também já intervieram no caso, pedindo a anulação da condenação do blogger e a União Europeia já tomou a palavra, afirmando que já é hora de erradicar toda a condenação que envolva castigos físicos, tendo como base os princípios dos direitos humanos básicos de todos os indivíduos indiferentemente da sua raça, crença religiosa, condição social e económica, bem como da sua localização geográfica.

Segundo o jornal Público, "castigos físicos não são novidade na Arábia Saudita, mas punir publicamente um activista pacífico que apenas manifestou as suas ideias é uma mensagem de intolerância horrível", criticou Sarah Leah Whitson, directora para o Médio Oriente e Norte de África da Human Rights Watch.

O atentado ao jornal satírico francês Charlie Hebdo tem sido um dos motivos das críticas internacionais à condenação de Badawi, pois a primeira parte da sua condenação ocorreu depois dos atentados ocorridos em Paris.

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Como se pode ler na revista Visão, Kate Allen, directora da Amnistia Internacional no Reino Unido, afirmou que os ministros britânicos "celebraram o livre discurso em Paris ou em Londres, mas de repente parecem ter perdido o seu próprio poder de afirmação, quando se trata de condenar publica e francamente as autoridades em Riade. David Cameron e os seus ministros deveriam ter tido a coragem dos seus condenados e dizer - a alto e bom som - que o caso de Raif Badawi é uma desgraça absoluta, que este açoitamento semanal deveria ser alterado e que ele deveria ser libertado da prisão", acrescenta.