O grupo paramilitar Boko Haram, de inspiração islamita, atacou Baga, a última cidade do nordeste da Nigéria ainda controlada pelo governo. Testemunhas citadas pela BBC apontam para casas incendiadas, mortos e feridos nas ruas e cerca de 10.000 pessoas em fuga. De acordo com observadores da Amnistia Internacional, este será o maior massacre de sempre levado a cabo por este grupo terrorista, e o número de mortos poderá ascender aos dois milhares. O seu líder, Aboubakar Shekau, já declarou a criação de um Califado na região Nordeste do país, à semelhança do Estado Islâmico do Médio Oriente. Contudo, e de acordo com a agência Reuters, as forças armadas da Nigéria estão a lutar para retomar a cidade, incluindo no seu esforço o uso de meios aéreos.


Os países vizinhos mostraram hesitação no apoio à Nigéria. De acordo com o Observador, o ministro dos Negócios Estrangeiros do vizinho Níger afirmou à BBC que o país "não vai enviar tropas enquanto a Nigéria não conseguir retomar a cidade de Baga", mas que o país continua determinado a trabalhar em parceria com a Nigéria e também com o Chade e os Camarões contra o inimigo comum. Recorde-se que os quatro países acordaram, há alguns meses, um esforço militar conjunto com vista ao combate contra o Boko Haram. Contudo, e de acordo com o site Christian Science Monitor, as tropas dos três vizinhos da Nigéria retiraram-se de uma base militar próxima de Baga dias antes do ataque do Boko Haram. As tropas nigerianas que ficaram no local fugiram depois, ao verificarem-se em desvantagem numérica e de equipamento perante os islamitas. 


Mediaticamente menos visível que o ataque ao Charlie Hebdo, o combate entre o Boko Haram e o governo da Nigéria é apenas outra frente da mesma guerra, tal como a Segunda Guerra Mundial se desenrolava ao mesmo tempo na Ucrânia, no Egipto e nas águas do Oceano Pacífico. A notícia do rapto de 200 raparigas estudantes causou uma onda de comoção por todo o mundo, mas pouco ou nada conseguimos fazer para que o governo da Nigéria conseguisse reverter a situação. Tal como o Estado Islâmico, o Boko Haram está muito longe de estar controlado ou dominado, e será uma ameaça para as populações locais nos próximos tempos. Tão ou mais mortal do que o ébola, nas vizinhas Serra Leoa e Libéria.