Uma jovem mulher, aparentemente na casa dos 20 anos, fez-se explodir esta madrugada no bairro histórico de Sultanahmet, na maior cidade da Turquia, causando a morte a um polícia e ferimentos num outro. O ataque deu-se poucos dias após outro em que um homem solitário lançou granadas contra a entrada do palácio governamental de Dolmabahce, também em Istambul, mas ninguém ficou ferido nesse incidente. A bombista estava ligada ao grupo Marxista turco DHKP-C, considerado pelas autoridades daquele país como uma organização terroristas e cuja atividade é ilegal. Numa mensagem deixada no seu website, o grupo descreveu a bombista como uma "lutadora sacrificial" e diz que almeja enfrentar a corrupção no seio do governo.

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Este terá então sido um atentado "desprezível" contra a "nova Turquia", segundo as palavras do porta-voz do governo turco.

A mulher, aparentemente falando Inglês, embora com uma pronúncia acentuada, como afirmaram algumas testemunhas, ter-se-á aproximado do polícia, indicando que teria perdido a carteira. Terá sido neste momento que se fez explodir e a detonação estilhaçou os vidros em redor. As autoridades agiram prontamente, encontrando mais dois engenhos no corpo da bombista, que não explodiram.

A organização DHKP-C é conhecida por lançar ataques esporádicos contra alvos ligados ao governo turco, e inclusive teria estado por detrás da morte de um guarda da embaixada dos Estados Unidos da América em Ancara, há dois anos. Mas os dois ataques já feitos este ano trazem ao de cima uma preocupação bem maior por parte da administração de Erdogan.

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Nos últimos anos a Turquia tem sofrido uma série de ataques terroristas, em grande parte ligados às constantes crises com as populações curdas e agora com o caos que grassa a sul das suas fronteiras. Mesmo a segurança apertada que se faz sentir parece incapaz de resolver esta situação. Aliás, têm havido mesmo acusações de apoio tácito de Ancara a extremistas islâmicos o que, a ser verdade, certamente que não facilitaria a posição do conservador Erdogan.

Mais ainda, este último atentado deu-se poucas horas antes do mediático ataque ao jornal satírico Charlie Hebdo, do qual resultaram 12 mortos e 10 feridos, com a combinação de ambos trazendo ao de cima os perigos e imprevisibilidade do terrorismo. Aliás, uma particularidade que ambos estes atentados têm em comum é a sua relativamente pequena escala em termos de recursos e fatalidades, não obstante o horror que causam. Estas características tornam-nos quase impossíveis de evitar, independentemente dos recursos que se possam devotar nesse sentido. A verdade é que a solução para o terrorismo não passa pela força, mas por verdades bem mais complicadas.