No dia 28 de Dezembro de 2014, no final de um ano que foi terrível para as companhias aéreas asiáticas, com duas aeronaves da Malaysia Airlines a perderem-se (uma desaparecido no Sul do Índico, e a outra cruelmente abatida no Leste da Ucrânia), o voo QZ8501 da companhia indonésia Air Asia, com 162 pessoas a bordo, despenhou-se no Mar de Java. A busca iniciou-se pouco tempo depois, e por uns dias temeu-se que também este aparelho pudesse ter desaparecido por completo. Felizmente que tal não foi o caso, tendo já sido recuperadas diversas partes da aeronave, assim como 48 corpos. Este sábado foi erguida do fundo do mar a secção da cauda, sendo de suprema importância obter o maior número de peças que for possível para descobrir exatamente como se deu o despenhamento.

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Infelizmente as caixas negras não estavam presentes, assumindo-se que ter-se-ão separado com o impacto, pelo que as buscas pelas mesmas prosseguem.

O aparelho era um Airbus 320-200, pertencendo a um modelo que é considerado um dos mais seguros do mundo. No entanto, nenhuma máquina é perfeita, e as condições terrivelmente adversas que se faziam sentir no dia do incidente poderiam ter levado ao limite as capacidades da mesma, de modo semelhante ao que sucedeu com a aeronave da Air France na costa do Brasil em 2009. Também este último era um aparelho da construtora aeronáutica europeia, embora do modelo A330-203. Como sucedeu no caso da Air France, espera-se que a recuperação das caixas negras possa trazer alguma luz acerca das circunstâncias do despenhamento. Apesar de estas últimas se terem separado da cauda, secção onde costumam estar montadas, existem informações acerca da deteção de sinais oriundos das mesmas a cerca de um quilómetro de distância da zona onde a cauda foi encontrada, pelo que a esperança de as recuperar rapidamente ainda existe.

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2014 foi um ano especialmente negro para as companhias aéreas asiáticas. O franco desenvolvimento económico da região levou a uma explosão das companhias aéreas de baixo custo, alimentadas pela maior mobilidade da nova classe média asiática. Estas empresas criaram assim frotas bastante vastas, que se mantêm muito ativas um pouco por tudo o mundo, embora sobretudo naquela região (o A320 é, afinal, um avião de alcance relativamente curto). Apesar dos números impressionantes, a verdade é que estas empresas ainda não conseguiram fazer grandes lucros e a maioria está, inclusive, a perder dinheiro. Para muitas, a grande salvação parece estar em cortar nas arestas, diminuir custos de manutenção e gastos com o pessoal. Estes últimos fatores são possíveis devido a uma falta de regulação por parte dos órgãos de gestão governamentais, que não estavam preparados para a rápida expansão destas empresas. Assim sendo, incidentes seriam inevitáveis.

No entanto, e apesar dos problemas, analistas e empresários acreditam que o futuro é promissor, e algumas empresas até arriscam cortar ainda mais os preços, para suprimir a concorrência.

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A descida dos preços do petróleo também irá tornar esta concorrência ainda mais feroz, e os seus resultados ainda estão para se ver.