A "marcha republicana" de Paris deverá contar com cerca de 1 milhão de manifestantes, de acordo as autoridades francesas. A grande manifestação de apoio ao Charlie Hebdo e repúdio ao atentado cometido esta semana está convocada para hoje, Domingo, e uma "pré-manifestação" realizada ontem por toda a França já reuniu cerca de 700.000 pessoas. Cerca de 5500 elementos das forças de segurança e das Forças Armadas vão garantir a protecção do evento. Espera-se a presença de um grande número de portugueses e luso-descendentes, uma vez que a comunidade se encontra totalmente integrada e identificada com a sociedade francesa. A manifestação vai contar com a presença de chefes de Estado e de Governo de vários países, incluindo o primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, acompanhado da presidente da Assembleia da República Assunção Esteves. 


Angela Merkel (Alemanha), Mariano Rajoy (Espanha), e David Cameron (Reino Unido) são alguns dos líderes europeus esperados, tendo os Estados Unidos enviado um alto representante.  Também a Rússia e o Egipto, países com relações diplomáticas tensas com a França no momento actual, vão enviar representantes. No caso da Rússia, é uma participação curiosa, tendo em atenção que o caso não pareceu despertar grande interesse entre a sociedade civil russa - e tendo em atenção também que as autoridades russas não têm mostrado grande apreço pela liberdade de expressão. Contudo, a Rússia tem sido também um dos principais alvos do fundamentalismo islâmico. Quanto ao Egipto, frisou que a participação na manifestação estará condicionada à inexistência de caricaturas de Maomé. Lado a lado estarão também o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Natanyahu. Recorde-se que a França aprovou em Dezembro o reconhecimento da Palestina como estado independente. Outros países muçulmanos representados são a a Jordânia, a Argélia, os Emirados Árabes Unidos e a Turquia.

A Frente Nacional, o partido de extrema-direita liderado por Marine Le Pen, não foi convidada a participar. Marine Le Pen já ripostou, convocando os franceses apoiantes do partido a manifestarem-se por todo o país, no apoio à mesma causa, com excepção da capital. Já Jean Marie Le Pen, o seu pai e histórico fundador do partido, causou uma pequena polémica (uma vez que a sua visibilidade pessoal é agora menor) ao anunciar que ele próprio "não é Charlie". Fiel às suas convicções políticas, Le Pen afirmou-se solidário com "o assassínio de 12 compatriotas franceses", mas recordou que "o Charlie Hebdo é um jornal anarco-trotskista, contrário à moral política."