Desde o início de Janeiro que uma vaga de chuvadas intensas tem afetado o sudeste africano, fazendo subir os níveis dos rios ou trazendo inundações rápidas a áreas despreparadas. No total, as autoridades de Moçambique, Malawi, Zimbabwe e Madagáscar falam de mais de um milhão de pessoas afetadas, incluindo um quarto de milhão forçadas a abandonar as suas casas. Só em Moçambique, sobretudo na região da Zambézia, há registo de 117 mortos até ao momento e 150.000 pessoas perderam as suas casas, segundo informou o Ministro da Saúde Mouzinho Saide.

No Malawi, considerado um dos países mais pobres do mundo e que tem sofrido graves problemas nas suas tentativas de melhorar o seu estatuto económico, foram registados mais de 60 mortos e o Presidente Peter Mutharika já veio informar que lhe será impossível cumprir as previsões de crescimento para este ano, devido aos estragos causados pelas enchentes.

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Aliás, a falta de recursos materiais e económicos destes estados tem impedido um eficaz apoio às vítimas e, no geral, os estragos já causados irão ser extremamente difíceis de reparar.

Este início de 2015 está a ser marcado por uma vaga de clima extremo um pouco por todo o mundo, com as tempestades de gelo nos Estado Unidos da América a serem alvo de maior cobertura mediática. Fortes tempestades de neve, equiparadas com as que ocorreram há exatamente um ano, cobriram os estados do Connecticut e Massachusetts com um profundo manto branco. Previsões para uma cenário equivalente em Nova Iorque não se fizeram sentir, para satisfação dos habitantes da cidade, com a tempestade a dissipar-se muito mais rapidamente do que fora previsto. Esta situação já forçou os climatologistas americanos a apresentarem um pedido de desculpas, depois de se ter instaurado um estado de emergência para o que afirmavam ser uma "tempestade histórica" e que nunca se materializou.

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No entanto, convém ter em conta que o clima é, primariamente, difícil de prever no que diz respeito a circunstâncias específicas, isto é, se no próximo dia vai chover ou fazer sol. Mas as previsões a longo prazo, se os próximos anos vão ser mais frios ou mais quentes, são muito mais previsíveis, e a tendência é para que situações como a dos Estados Unidos e Moçambique, e inclusive o frio que se tem feito sentir em Portugal, se tornem cada vez mais comuns.

Claro está, convém ter em conta que o caso africano tem de ser visto no contexto das chuvadas sazonais, caracteristicamente fortes. No entanto, mesmo estas têm crescido em intensidade, levando a catástrofes como aquela que se faz agora sentir.