Um dos dois irmãos que mataram 12 pessoas no ataque ao jornal satírico francês foi enterrado em Gennevilliers, perto da capital francesa, no sábado antes da meia-noite. Fontes oficiais revelaram que nenhum parente compareceu à cerimónia e que a sua sepultura não foi marcada, para evitar que este seja um local de peregrinação.

O funeral aconteceu debaixo de segurança máxima e teve lugar em Gennevilliers, local onde vivia. A viúva de Chérif pediu para que os dois irmãos fossem lá enterrados, mas Patrice Leclerc, presidente da câmara da comuna, proibiu o pedido porque Saïd - o irmão mais velho - não residia na área. Saïd Kouachi foi enterrado na sexta-feira à noite em Reims, onde viveu cerca de 2 anos.

Publicidade
Publicidade

E no dia seguinte foi a vez do seu irmão, já que mais tarde Leclerc afirmou que não teve outra opção legal a não ser autorizar o funeral.

O enterro de Saïd teve a presença de um punhado de familiares mas, para que o enterro fosse mantido em segredo, a sua mulher não compareceu - afirmou o seu advogado, Antoine Flasaquier, acrescentando: "Ela está agora aliviada, porque o seu marido foi enterrado com discrição e dignidade". O funeral de Chérif também não contou com a presença da sua mulher: "A sua mulher não quis fazer parte do funeral. Ele não tinha ninguém. Foi extremamente calmo", contaram os oficiais presentes.

A lei francesa diz que os familiares têm de solicitar junto da câmara municipal a permissão para um funeral, pedido que pode ser atendido se o indivíduo viveu ou morreu na área ou se a sua família lá tiver um lote no cemitério.

Publicidade

Os irmãos Kouachi foram mortos pela polícia no dia 9 de Janeiro depois de se terem abrigado numa gráfica nos arredores de Paris - 2 dias depois do massacre contra o Charlie Hebdo. Num vídeo gravado por uma testemunha enquanto fugiam, os jihadistas celebravam o facto de terem defendido e vingado o profeta Maomé, representado em várias caricaturas pelo jornal.

O ataque terrorista chocou o mundo e foi mundialmente condenado. Embora não tenha ainda sido esquecido pelos meios de comunicação social, pode ser que os funerais dos responsáveis tragam alguma espécie de ponto final a este acontecimento que ficará para a história.