Com a situação na Ucrânia a aquecer novamente, havia esperanças de que as conversações, a ter lugar esta semana em Berlim, pudessem trazer uma resolução para o problema. No entanto foi revelado esta manhã que a continuação dos combates e o constante aumento do número de mortos impedia qualquer possibilidade de negociações. Segundo o ministro dos negócios estrangeiros alemão, Frank-Walter Steinmeier, haveria demasiadas diferenças de opinião entre todos os grupos envolvidos para permitir um avanço sério na arena política. Já Sergei Lavrov, o seu contraparte russo, declarou que apenas um cessar fogo completo poderia desbloquear as conversações.

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Já o Presidente ucraniano, Petro Poroshenko, havia oferecido a ideia de se levar futuras e mais profundas negociações para a capital do Cazaquistão em Astana, que evidentemente não serão possíveis neste momento.

Este revés dá-se poucos dias depois de uma série de confrontos entre tropas governamentais e rebeldes pró-russos na zona de Donetsk terem colocado todo o processo em risco. Mais de 4700 pessoas já morreram em resultado da Guerra de Donbass, que também já causou um milhão de refugiados. O apoio que o governo de Moscovo foi acusado de oferecer aos rebeldes também levou a uma série de sanções económicas, que prejudicaram gravemente a economia russa, assim como criaram um aprofundar das divisões entre a Rússia e o Ocidente. Não obstante o facto que vários governos europeus teriam interesse em diminuir ou acabar com estas sanções, que já prejudicaram economias um pouco por toda a Europa, a falta de progressos na guerra ucraniana poderá fazer com que poucas soluções se encontrem também nessa frente.

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Entretanto, o governo de Vladimir Putin já havia levantado a possibilidade de pedir o pagamento antecipado de um empréstimo feito a Kiev em finais de 2013, o que, segundo as palavras de Putin, levaria ao colapso da Ucrânia. Convém lembrar que este país sofre não apenas com a crise militar, mas também com profundos problemas económicos sem fim ainda à vista. Em parte para solucionar esta questão e talvez para colmatar as ameaças russas, o gabinete de Barak Obama já veio afirmar que os Estados Unidos da América iriam fazer empréstimos no valor de 2 mil milhões de dólares a Kiev ao longo deste ano. Conversações também levadas a cabo pelo Fundo Monetário Internacional tentam criar um fundo no valor de 17 mil milhões de dólares no total para revitalizar a economia ucraniana, apesar de serem feitas num ambiente de dúvida em relação à real capacidade desse país de cumprir os acordos estipulados a nível financeiro.