Neste fim-de-semana deu-se a segunda ronda das eleições presidenciais na Croácia, um pequeno país dos Balcãs, que, em meados de 2013, se tornou no mais recente membro da União Europeia. Desde a sua independência da Jugoslávia, em 1991, que o país tem sofrido uma série de profundas crises económicas ainda sem fim à vista. Aliás, terá sido este último fator que, este domingo, levou à derrota do candidato Social-Democrata e Presidente em atividade, Ivo Josipovic, de 57 anos, acusado de ser incapaz de resolver os graves problemas com que aquela nação se confronta, incluindo uma das maiores taxas de desemprego da Europa, rondando os 20%. Apresentando-se como a cara da mudança, e a única alternativa real às políticas de Jisopovic, a candidata do partido de direita HDZ, Kolinda Grabar-Kitarovic de 46 anos, conseguiu assim ser eleita e tornar-se na primeira mulher a chegar ao assento presidencial em Zagreb, nesta região tradicionalmente conservadora do mundo.

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Não obstante, a vitória foi apertada com o Presidente derrotado a conseguir ainda 49,5% dos votos contra os 50,5% de Grabar-Kitarovic. Na primeira ronda da votação, há duas semanas, nenhum dos candidatos havia conseguido votos suficientes, pelo que foi decidido avançar com esta segunda ronda de modo a conseguir-se uma resolução. A razão para esta pequena diferença, apesar dos dedos acusadores apontados a Jisopovic e os membros do seu governo, prende-se com a postura conservadora e de direita da Presidente agora eleita, que muitos veem com preocupação.

Apesar de, como em outros países com o sistema presidencial, o cargo em questão ser sobretudo cerimonial (não muito diferente do que sucede em Portugal), a verdade é que a retórica da nova Presidente é claramente agressiva em relação à vizinha Sérvia.

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Ambos os países travaram um brutal conflito aquando da fragmentação da Jugoslávia, com o governo de Zagreb a fazer grandes sacrifícios pela sua independência. As relações têm melhorado com o passar dos anos, mas Grabar-Kitarovic, assim como outros partidários de direita, acusou o anterior Presidente de ser demasiado brando com Belgrado, e assumiu a necessidade de uma postura mais agressiva em prol dos interesses croatas.

Por outro lado existem dúvidas acerca de como o HDZ irá atacar a crise económica, sobretudo com as eleições legislativas a apenas alguns meses de distância e com a possibilidade, bem real, de outra vitória nessa frente. A retórica populista não será suficiente, e os problemas croatas não advirão apenas da infeção por parte da crise internacional, mas de problemas estruturais e herdados de eras anteriores que irão requerer uma aproximação séria. No entanto existe alguma confiança popular em Grabar-Kitarovic. Ela é vista como tendo uma experiência credível, foi assessora do secretário-geral da NATO e promove a ideia de que alguns dos problemas de Zagreb se poderão resolver com uma descentralização das instituições e um aumento do poder para o Presidente.