Uma semana após os mediáticos ataques ao jornal satírico parisiense Charlie Hebdo, a França ainda não se recompôs realmente da vaga de terror que vitimou 17 pessoas, e ainda levou à morte de 3 terroristas. Numa tentativa de passar ao ataque, as autoridades fizeram uma busca por indivíduos acusados de apoiar ou glorificar o extremismo, que acabou com 54 pessoas presas. Estas prisões incluíram ainda um popular comediante, Deiudonné M'bala M'bala, que terá feito uma peça na qual justificaria as ações dos terroristas e que foram vistas como inaceitáveis, uma vez que faria referência a Amédy Coulibaly, o atirador que fez reféns numa loja de artigos judaicos em Porte de Vicennes e foi eventualmente eliminado pela força de elite GIGN ao mesmo tempo que os irmãos Kouachi.

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Convém relembrar que existem em França leis contra a intolerância e o discurso de ódio, mas mesmo assim foram tomadas medidas ainda mais apertadas para fazer frente à ameaça do terror islâmico. Estas medidas foram recebidas com ceticismo por alguns sectores da sociedade, uma vez que há vozes que temem que a sua implementação possa vir a colocar em causa os valores que tentam proteger, o que é, aliás, uma luta que tem vindo a ser travada nos Estados Unidos desde o 11 de Setembro.

A solidariedade para com as vítimas dos atentados e a defesa daquilo que é visto como os valores essenciais da sociedade francesa, aliás, trouxeram milhões de pessoas às ruas, naquilo que foi descrito como a maior manifestação de sempre em França. Contudo, a verdade no terreno não é absolutamente consensual.

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Apesar de muitos defenderem a liberdade de expressão sem impedimentos, também existe a opinião de que os cartoonistas teriam levado a sua paródia longe demais e que apesar de estarem no seu direito de o fazer, talvez não o devessem em respeito para com a fé islâmica, e como precaução contra este tipo de ataques. Apesar disso, existe um largo consenso em relação à defesa do liberdade de pensamento.

Ainda assim, o Charlie Hebdo regressou às bancas hoje, numa tiragem extraordinária de 3 milhões de exemplares para uma publicação que raramente passava dos 50.000. E, no entanto e talvez um pouco como seria de prever, esgotou rapidamente. Na capa estava mais um cartoon de um Maomé, desta feita entristecido, a segurar um póster que apresentava o já agora famoso slogan "Je Suis Charlie".

Entretanto, a al-Qaeda do Iémene já veio reclamar a responsabilidade por este ataque. O líder desta secção da organização, Nasser bin Ali al-Ansi, descreveu os atentados como a "sagrada Batalha de Paris", defendendo a pressuposta vingança contra os supostos insultos a Maomé.

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É curioso, no entanto, verificar que Amédy Coulibaly havia feito um vlog em que jurava fidelidade ao Estado Islâmico, que acabou divulgado após a sua morte, e que traz alguma confusão sobre estas reivindicações. A namorada de Coulibaly, Hayat Boumeddiene, também acusada de estar envolvida nos ataques da semana passada, continua a monte e será neste momento a mulher mais procurada do mundo, tendo possivelmente fugido para a Síria.