À primeira vista parece uma combinação improvável, mas a verdade é que o tráfico de droga com recurso a drones [veículos aéreos não transportados] assume-se cada vez mais como prática comum nos cartéis do narcotráfico mexicanos. Esta semana foi detectado novo episódio de substâncias ilícitas a bordo de um drone, que se despenhou na cidade de Tijuana, junto à fronteira do México com os Estados Unidos da América (EUA). O aparelho tinha seis hélices e uma bateria de lítio e terá caído devido ao excesso de peso que transportava (2,7kg). Em declarações à Associated Press, o porta-voz da polícia de Tijuana, Jorge Morrua, sublinhou que, em 2014, houve pelo menos 150 tentativas de transportar droga através da fronteira usando este mesmo método.

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O drone transportava seis pacotes de metanfetamina - substância extremamente estimulante do sistema nervoso central - presos na fuselagem e acredita-se que tinha os EUA como destino. Porém, o uso de drones está longe de ser o único método "criativo" utilizado pelos traficantes. Na verdade, o tráfico de droga entre o México e os EUA é realizado frequentemente a partir de túneis que ligam as fronteiras dos dois países e, não raras vezes, também são utilizadas catapultas que se encontram perto da fronteira.

Jorge Morrua confirmou que as autoridades estão a investigar a origem do voo, bem como quem se encontrava a controlar o mesmo. Alejandro Hope considera que este método, embora "factível", está em "fase experimental". Para o director de Segurança do Instituto Mexicano para a Competitividade, a maior parte da droga continua a ser transportada através do uso de meios convencionais, como são os casos de "veículos, pessoas ou túneis".

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Hope sublinha ainda que contrariamente "à lenda que o envolve", o tráfico de droga é um negócio low-tech [pouca tecnologia].

Drones estariam a ser construídos desde julho

De acordo com a Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA), citada pelo diário mexicano "El Universal", desde o passado mês de julho que trabalhadores ligados aos cartéis mexicanos estariam a trabalhar na construção de drones. Revela a DEA que a Cidade do México, Guadalajara, Querétano e Nuevo Léon seriam os locais onde se procedia à fabricação daqueles aparelhos.