Esta Quinta-feira ao fim da tarde deram-se violentos confrontos na cidade de Verviers, na Bélgica, dos quais resultaram dois mortos e um ferido grave. No rescaldo da operação, a polícia belga afirmou ter capturado 4 espingardas automáticas AK-47, similares às usadas nos atentados de Paris, na semana passada, assim como explosivos e uniformes policiais, revelando ainda que os suspeitos pretendiam fazer ataques contra a polícia belga, que incluíam decapitar um agente. Nos raides policiais que se seguiram, que tiveram lugar em toda a região de Liége, foram ainda efetuadas outras quinze prisões. Entretanto, deram-se ações similares por toda a Europa, com 12 pessoas presas em França, 2 na Alemanha, e um adolescente na Áustria, revelando que a resposta aos atentados está a ser tão ampla quanto assertiva, apesar de ainda existirem dúvidas em relação à sua eficácia real.

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Os suspeitos envolvidos no mencionado tiroteio contra a polícia belga haviam regressado da Síria, onde estiveram para participar nos conflitos em curso na região e para se imiscuírem dos ideais extremistas. Aliás, a Europa enfrenta um problema complexo no que diz respeito à questão islâmica. Muitos destes jovens de ascendência árabe desiludidos com a vida que vivem nos países seculares da Europa Ocidental são descendentes dos imigrantes originais que para lá foram em busca de trabalho, atraídos por empresas europeias ansiosas por trabalhadores mal pagos. Apesar de terem nascido nos países onde os seus pais encontraram um modo de ganhar a vida, continuam, em grande medida, excluídos. Esta situação leva muitos, sobretudo aqueles que são mais jovens e potencialmente idealistas, a procurarem algo que dê sentido à sua experiência, sendo alvos fáceis dos líderes extremistas que buscam sacrifícios para as suas causas.

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Somando a isto, temos toda a questão geopolítica no Médio Oriente que, com o fim dos mandatos coloniais que de certo modo foram estendidos pelos brutais ditadores que se instalaram durante a Guerra Fria (e muitos dos quais foram eliminados durante a chamada Primavera Árabe), está a normalizar a sua disposição política de um modo mais condizente com a realidade no terreno.

No entanto, esta normalização colide diretamente com os interesses dos países ocidentais, incluindo interesses menos evidentes, como aqueles de índole ideológica. O secularismo de que os Europeus se orgulham tanto terá pouco valor no Médio Oriente mas, no entanto, existe uma tendência, ainda que geralmente inconsciente, para tentar exportá-lo para região, colidindo assim com a realidade local. Verdade seja dita, esta é uma situação para a qual não há respostas óbvias, e muito menos corretas.

Entretanto, o Secretário de Estado americano, John Kerry, dirige-se este fim-de-semana a Paris para encetar conversações com o Presidente Fançois Hollande em relação à política antiterrorista. Queira-se ou não, a roda da História continua em movimento.