Todas as esperanças de libertação do jornalista Kenji Goto e do piloto Muath al-Kaseasbeh estão hoje nas mãos da Jordânia. Esta terça-feira, o Estado Islâmico difundiu um novo vídeo em que ameaça executar os dois reféns dentro de 24 horas, caso a exigência de libertação de Sajida al-Rishawi não seja rapidamente satisfeita. Sajida al-Rishawi é uma mulher iraquiana no corredor da morte da justiça jordana, condenada pelo seu envolvimento num atentado em 2005, que custou a vida a 60 pessoas. O jornal The Guardian anunciou que a Jordânia poderá ceder a esta exigência se, para além do japonês Kenji Goto, o Estado Islâmico libertar o piloto jordano Muath al-Kaseasbeh, capturado em dezembro, após o avião que pilotava se ter despenhado no leste da Síria, durante um raide da coligação liderada pelos Estados Unidos.

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Segundo o jornal The Guardian, o enviado japonês à região, Yasuhide Nakayama, salientou os laços que unem o Japão à Jordânia e disse aos repórteres que ambos os países estão determinados a trazer os reféns para casa:

  • "Espero que possamos todos trabalhar firmemente e juntar as nossas mãos para cooperar, e para que os dois países cooperem, de forma a vermos o dia em que o piloto jordano e o nosso compatriota nacional, o senhor Goto, possam regressar em segurança aos seus países com um sorriso no rosto."

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, que está sob grande pressão após a execução de Haruna Yukawa - na sequência da recusa de pagamento do resgate de 200 milhões de dólares exigido pelo Estado Islâmico - não quis dar qualquer detalhe sobre as negociações a decorrer com as autoridades jordanas.

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Por seu lado, o rei Abdullah da Jordânia disse a um jornal jordano que o caso do piloto estava no "topo das prioridades do país".

Quem é Sajida al-Rishawi?

Sajida al-Rishawi é uma mulher iraquiana de 44 anos. Foi condenada à morte em Setembro de 2006, por envolvimento nos atentados suicidas a três hotéis em Amã, levados a cabo em novembro de 2005. Na sequência desses ataques, 60 pessoas perderam a vida. A maior parte das vítimas participava numa festa de casamento que decorria num dos hotéis atingidos.

Al-Rishawi fugiu no meio da multidão, mas foi capturada quatro dias após os atentados. Na sua confissão, admitiu não ter conseguido ativar as bombas que trazia atadas ao corpo. O seu marido e dois outros iraquianos foram os bombistas suicidas que se fizeram explodir. O grupo terrorista que preparou os ataques em Amã pertence ao ramo iraquiano da Al-Qaeda. #Terrorismo

Na altura dos ataques de Amã, o grupo estava sob o comando de Abu Musab al-Zarqawi, cujo homem de confiança era o irmão de Sajida Al-Rishawi. Como o Estado Islâmico surgiu em 2004 dentro da Al-Qaeda iraquiana, é possível que o seu líder, Abu Bakr al-Baghdadi, conheça bem Sajida al-Rishawi.