Duas explosões levadas a cabo por bombistas suicidas fizeram-se sentir esta noite na cidade de Trípoli, situada na costa Norte do Líbano, causando a morte de 8 pessoas e pelo menos 30 feridos. Inicialmente o ataque terá sido reivindicado pela Frente Nusra, um grupo ligado à al-Qaeda e que estaria assim a fazer sentir a sua presença nesta zona predominantemente sunita do país. Curiosamente, o Estado Islâmico também veio agora reclamar o ataque em Trípoli, contradizendo a Frente Nusra e causando uma forte confusão acerca da responsabilidade pelo sucedido. O Líbano, que em meados do século passado fora considerado a "Joia do Médio Oriente", é agora uma nação fortemente dividida, com o grupo Hezbollah (cujo líder recentemente repudiou os ataques ao Charlie Hebdo) a dominar o Sul e a apoiar Bashar al-Assad na Síria, e com o Centro, onde se situa Beirute, e Norte controlados por um governo frágil.

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Deve ser tido em conta que este incidente não é isolado, e que a cidade de Trípoli foi palco de fortes confrontos em Outubro passado, que causaram a morte de 11 soldados governamentais, mais de 20 guerrilheiros pro-sunitas e 5 civis apanhados no fogo cruzado. Desde então que tem havido uma paz tensa, finalmente quebrada esta noite. O Estado Islâmico também tem tido as suas miras voltadas para a pequena nação costeira, à medida que tenta expandir-se e eliminar presumíveis inimigos. Guerrilheiros do Hezbollah têm combatido o EI e outras forças rebeldes na Síria, em apoio a Damasco e, segundo afirmam, para impedir que tais grupos alcancem e prejudiquem o Líbano.

Entretanto, ataques bombistas do género dão-se noutros cantos do mundo, também levados a cabo por fundamentalistas islâmicos.

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Na Nigéria, onde uma ofensiva do grupo Boko Haram conquistou a cidade de Baga e causou 2000 mortos, uma menina, com cerca de 10 anos, fez-se explodir num mercado em Maiduguri, no Norte desse estado africano. O ataque causou 19 mortos e dezenas de feridos e estará ligado ao mencionado grupo rebelde. Não será igualmente a primeira vez que meninas são usadas para cometer tais atos. Como o EI, o Boko Haram estará interessado em criar um califado, e a guerra contra o mesmo dura já há muitos anos, com as ações no início deste ano a serem possivelmente as mais sangrentas da sua história. No ano passado o rapto de cerca de 200 raparigas numa escola trouxe o grupo à ribalta internacional, com pedidos para que se devolvessem essas jovens a caírem no vazio e a serem desde então grandemente esquecidos pelos media.

Os dois eventos, assim como o atentado de Paris, trazem ao de cima um aparente recrescimento das atividades destes grupos extremistas e da sua violência. Fica no ar a ideia de que algo deveria ser feito para prevenir mais situações do género, e certas medidas começam a ser tomadas em resposta, mas qualquer estratégia futura terá de ser mais ampla, e terá de ter em conta não apenas a proteção física dos indivíduos sob a ameaça destes grupos, mas também a defesa dos seus direitos e valores.

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