Em 2013, o Papa Francisco teve muito que celebrar. Não só foi o Homem do Ano para a revista Time, como foi também considerado o mais bem vestido do planeta pela Esquire. Mas longe de descansar à sombra dos louros do ano anterior, o chefe da Igreja Católica teve um 2014 bastante ocupado. Desde logo, tornou-se no primeiro líder religioso a aparecer na capa da revista Rolling Stone. No artigo, com 7.700 palavras, o primeiro papa não europeu em mais de 1.200 anos é retratado com uma estrela de rock e o seu charme é comparado ao do ex-Presidente norte-americano Bill Clinton.

Como qualquer rockstar que se preze, o argentino, de 77 anos, tinha uma Harley Davidson.

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Tinha - e já não tem - porque decidiu leiloá-la a favor de um albergue e de uma sopa dos pobres de Roma. A Dyna Super Glide rendeu mais de 200 mil euros. Já um casaco de pelo assinado pelo pontífice foi vendido por mais de 50 mil euros.

O combate à máfia foi outro dos grandes feitos do Papa sul-americano. D. Bergoglio apelou aos mafiosos para rezarem por perdão após uma criança ter sido assassinada com um tiro na cabeça no Sul de Itália. "A violência contra uma criança tão pequena não tem precedentes na história do crime. Oremos por Coco [como era conhecido o pequeno], que está certamente junto a Jesus no céu, e pelas pessoas que cometeram este crime, para que se possam arrepender e converter ao Senhor", disse, na altura.

Ao falar sobre os prós e contras da era digital, e das suas implicações para os Católicos, o Papa Francisco referiu-se à internet como "uma dádiva de Deus".

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Salientando as "imensas potencialidades" do espaço virtual, o pontífice disse: "Isto é algo realmente bom, uma dádiva de Deus". No entanto, alertou: "desejo pela conexão digital pode ter o efeito de nos isolar dos nossos vizinhos, aqueles que nos estão mais próximos".

Declarar que as teorias da evolução e do Big Bang não são incompatíveis com a existência de Deus foi, provavelmente, uma das afirmações mais surpreendentes do Papa Francisco em 2014. "Deus não é um mago com uma varinha mágica", disse o líder religioso. Acrescentou ainda: "Ele criou os seres humanos e deixou-os desenvolverem-se de acordo com as leis internas que deu a cada um, de modo a que pudessem realizar-se".



Em relação a um dos assuntos mais sérios, prometeu uma luta ainda mais forte contra os escândalos de abuso sexual na Igreja e pediu perdão pelo "demónio" dos padres que abusam de crianças. "Sinto-me compelido a agir pessoalmente contra o demónio de alguns padres - muito poucos - e pedir perdão pelos danos que causaram por terem abusado sexualmente de crianças", declarou.

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Num registo mais informal, deu boleia no Papamobile a dois rapazes de onze anos, na Praça de São Pedro. E num registo mais bem-disposto, o Papa soltou um palavrão perante centenas de pessoas na Praça de São Pedro. Tudo aconteceu quando quis dizer "caso" em italiano, mas acabou por proferir "cazzo", que pode ser traduzido para português como um calão para o órgão sexual masculino.

Por último, e talvez mais importante, o argentino de 77 anos teve um papel fulcral no reatar de relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos. Os líderes de ambos os países fizeram questão de agradecer a intervenção do Papa. "Em particular, quero agradecer a sua Santidade, o Papa Francisco, cujo exemplo moral nos mostrou a importância de perseguir o Mundo como ele deveria ser, em vez de nos contentarmos com o Mundo como ele é", exaltou Barack Obama. #Religião