George Papandreou, primeiro-ministro da Grécia entre 2009 e 2011, anunciou nesta sexta-feira a intenção de criar um novo partido político. O antigo governante grego, que dirigiu o país nos primeiros anos em que a Troika esteve em terras helénicas, pretende que o seu novo partido concorra já nas próximas eleições legislativas marcadas para a o próximo dia 25 de janeiro. Esta intenção de se afastar do Pasok, partido que dirigiu até março de 2012 e que foi criado pela seu pai, está relacionada com a necessidade de "construir, em conjunto, uma nova casa política que acolha os valores progressistas". O anúncio da fundação desta nova força política apelidada de "Movimento para a Mudança", que foi feito na página oficial de Facebook do político grego, já era esperado há algumas semanas.

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Apesar do partido ainda não estar oficialmente criado, fonte próxima de Papandreou revelou ao "Financial Times" que a nova força política estará operacional nos próximos "dois a três dias", ou seja, ainda a tempo de concorrer às legislativas antecipadas deste mês. Espera-se que siga uma linha ideológica idêntica ao Pasok, antigo partido de Papandreou, e terá importante influência no desfecho das eleições. Numa sondagem realizada na semana passada, o futuro partido de Papandreou, que já foi incluído tendo em conta os fortes rumores que circulavam na Grécia, recolheu intenções de voto entre os 4% e os 5%. Percentagens muito idênticas às do Pasok, partido que governa em coligação com a Nova Democracia, que se situam entre os 4% e os 6%.

Partido pode ser decisivo nas coligações pós-eleitorais

Caso se confirmem esses resultados, o "Movimento para a Mudança" poderá ter uma palavra a dizer na hora de fazer coligações pós-eleitorais.

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Por outro lado, algumas empresas de sondagens apontam este novo partido como "uma grande interrogação", pois poderá roubar votos às forças políticas que estão à frente: o Syriza (intenções de voto a rondar os 28%), partido de esquerda-radical liderado por Alexis Tsipras, e à Nova Democracia (25%), do primeiro-ministro conservador, Antonis Samaris. De seguida surgem o Aurora Dourada (6%), força política de orientação neonazi, os comunistas do KKE e os esquerdidas-moderados do To Potami, ambos com 5%.

Face a isto, parece improvável a existência de maioria absoluta e é nesse cenário que os pequenos partidos, como o de Papandreou, podem ganhar importante papel na hora de formar governo. Contra George Papandreou joga o facto de ter sido ele a assinar o acordo com a Troika, em 2010, seis meses depois de ter chegado ao poder, algo que contribuiu para o agravar das condições de vida da população grega. Apesar disso, já é certo que o "Movimento para a Mudança" vem criar ainda mais indefinição no panorama político e eleitoral no país.