Confrontos entre rebeldes pró-russos e tropas do exército ucraniano nas zonas de Donetsk e Luhansk levaram à morte de 4 soldados e 2 civis ucranianos. O incidente deu-se após mais um comboio de camiões, vindos da Rússia com suposta ajuda humanitária, ter chegado às linhas rebeldes esta Quinta-feira, levando a acusações de que estas ajudas seriam de facto entregas de armamento e que estariam apenas a incendiar a região. Toda a questão se torna mais premente quando se considera que conversações de paz terão lugar na próxima semana em Berlim, embora num ambiente tenso e de acusações recíprocas. Entretanto, as autoridades russas afirmaram que Kiev não teria cumprido os termos do empréstimo, avaliado em 3 mil milhões de euros, feito em Dezembro de 2013, levando a questões acerca de um requerimento antecipado do pagamento deste dinheiro, numa altura em que a Ucrânia se debate com problemas financeiros e políticos.

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A verdade é que, não obstante o acordo de cessar fogo acordado no início de Setembro do ano passado, os confrontos entre rebeldes e tropas ucranianas não cessaram, tendo havido tiroteios e, sobretudo, rajadas de morteiro e artilharia ocasionais, que no total já causaram cerca de 5000 mortos. O confronto, conhecido em certos meios como a Guerra de Donbass (nome por que é conhecida a situação no Leste da Ucrânia onde esta sucede), iniciou-se após as manifestações em Kiev, no início do ano passado, que depuseram o presidente pró-russo Viktor Yanukovych e levaram à ocupação russa da Crimeia. Após estes eventos, por volta de Abril, deu-se uma sublevação de milícias pró-russas no leste do país, acusadas de serem apoiadas por Moscovo, apesar da negação oficial. Entretanto o confronto cresceu imensamente, levando a sanções económicas contra a Rússia de Vladimir Putin, contra as quais este último tem tentado agir.

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Entre tais respostas está um aperto económico à Ucrânia, que se tem movido para uma maior aproximação da Europa Ocidental e da NATO, vistas por Moscovo como uma ameaça directa à sua segurança e estabilidade. A mais recente de tais respostas, ainda no seio económico, é a declaração de que Kiev não teria cumprido o acordo relativo ao empréstimo russo, que, entre outras coisas, indicava que a dívida externa ucraniana não deveria ultrapassar os 60%. No entanto, esta já está acima dos 70% e com tendência para crescer. O fantasma de um pedido de pagamento antecipado está no ar, apesar da promessa feita em Novembro por Putin de que não o faria devido ao possível colapso que daí adviria. Deve-se, no entanto, considerar o contexto destas chamadas de atenção. As conversações de paz dar-se-ão na próxima semana, e vários dirigentes europeus já vieram dizer que seria também melhor levantar as sanções à Rússia, que estão a ferir as suas próprias economias. Tudo isto parece fazer parte de uma estratégia para colocar mais pressão sobre Kiev, e os desenvolvimentos no terreno certamente que também serão nesse sentido.