Hassan Nasrallah, o líder do Hezbollah, movimento de guerrilha militar de inspiração muçulmana xiita e baseado no Líbano, criticou o Estado Islâmico e a sua actuação. Num discurso televisivo, Nasrallah qualificou de "imundos, violentos e inumanos" os actos dos jiadistas que têm actuado por todo o mundo. O inimigo de Israel sublinhou que os actos do Estado Islâmico "têm feito mais mal ao profeta Maomé e aos muçulmanos" do que "os livros, filmes e cartoons injuriosos para o profeta". Nasrallah apontou ainda que "é preciso falar do profeta devido ao comportamento de grupos que actuam em nome do Islão", e que qualificou como "apóstatas" e "renegados". Nasrallah falou sem mencionar explicitamente o ataque desta semana ao Charlie Hebdo. Recorde-se que a França foi um dos países europeus pioneiros no reconhecimento da independência do Estado da Palestina, concretizada numa resolução aprovada pelo parlamento no passado mês de Dezembro.  


As declarações do Hezbollah são mais um sinal da confusão político-ideológica que a emergência do Estado Islâmico veio trazer ao Médio Oriente. Antigos inimigos e adversários passaram a estar temporariamente em sintonia ou a partilhar interesses comuns, como é o caso dos Estados Unidos e do Irão, ou mesmo da Turquia e dos rebeldes curdos do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão). O Hezbollah tem sido um dos componentes no combate ao Estado Islâmico, colaborando de maneira informal com o esforço norte-americano contra os militantes do estandarte negro.    #Religião

Surgido nos anos 80, o Hezbollah é um dos principais componentes da política interna do Líbano, tendo tido um papel de relevo na guerra civil que assolou este país durante década e meia. É um dos três grandes grupos de guerrilha paramilitar muçulmanos anti-Israel e que actuam nas fronteiras do Estado judaico, a par da Jiade Islâmica e do Hamas, ambos activos na Palestina (Cisjordânia e  Faixa de Gaza.) O grupo travou uma guerra de curta duração mas muito intensa contra Israel, a chamada Guerra do Líbano de 2006, e que acabou por ser o episódio de maior violência no cenário israelo-palestiniano na década passada, pese a violência latente envolvendo o Hamas. O grupo é classificado como movimento terrorista pelos Estados Unidos.