Foi a 27 de Janeiro de 1945 que as tropas da 322ª Divisão de Infantaria soviética que avançavam sobre a Polónia, nas fases finais da Segunda Guerra Mundial, finamente entraram no vasto complexo de campos de concentração de Auschwitz. Apesar de estes serem homens endurecidos pelos combates constantes, não puderam deixar de se sentir horrorizados ao verem aquilo que tinham pela frente, tal como sucedeu com camaradas seus e tropas britânicas, americanas e francesas um pouco por toda a Europa ao encontrarem campos similares. No entanto, e para continuada surpresa do pessoal da 322ª, Auschwitz era maior, mais vasto e mais complexo do que qualquer outro campo similar. Incluía campos de concentração, campos de extermínio, campos de trabalho e mais de 40 campos satélites, nos quais morreram mais de um milhão de prisioneiros.

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Devido ao seu tamanho e complexidade, assim como à escala das mortes, Auschwitz acabou por se tornar num símbolo do Holocausto, e é por isso que hoje se homenageia a libertação do mesmo, com representantes de todo o mundo a dirigirem-se à Polónia para o efeito, com a notória exceção de Vladimir Putin, agora que a rastilho parece ter recomeçado a arder no Leste da Europa.

Apesar de tal parecer surpreendente hoje, a verdade é que a escala e complexidade destes campos de morte não faziam parte do grande plano Nazi, quando Hitler e os seus seguidores começaram a fazer planos para a conquista da Europa, no início dos anos de 1930. Havia uma noção de que se deveriam livrar dos judeus, que viam como os responsáveis pela derrota em 1918 e pelo Tratado de Versailles que condenara a Alemanha à pobreza, mas não se sabia como se iria fazer isso.

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Houve um esforço para extraditar judeus, mas foi durante a conquista da Polónia, em Setembro de 1939, que alguns grupos das SS e os infames Einsatzgruppen, que iam na cauda dos exércitos, tomaram o problema dos judeus e dos resistentes nas próprias mãos e iniciaram execuções em massa. No entanto, descobriu-se que esta solução implicava uma pesada carga emocional que destruía os homens, o que levou Heinrich Himmler, o Ministro do Interior do 3º Reich, e os seus assessores a procurarem um método "mais humano para os executores".

Aquilo que viria a ser chamado de "A Solução Final" para o problema judaico apenas se definiria em 1941, após serem criados os primeiros, e ainda pequenos, campos, que serviram para testar métodos de execução. Teria de ser algo rápido, que permitisse uma grande rotatividade das estruturas. Foi então idealizado o conceito das câmaras de gás, e das amplas estruturas necessárias para conter, executar, e depois eliminar os corpos dos prisioneiros. Seria esta forma de atuação que criaria a imagem definitiva do Holocausto.

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O campo de Auschwitz em si havia sido primariamente feito para conter prisioneiros políticos, pouco depois da invasão da Polónia. Em 1942 seriam criadas as estruturas para a execução de judeus e outros "indesejados" trazidos de toda a Europa ocupada (utilizando pesticida, inclusive).

Incrivelmente, não foi feito grande caso da sua descoberta pelos soviéticos, primeiro porque não era o primeiro campo a ser encontrado, em segundo lugar porque a conferência de Ialta, que definiria o mundo do pós-guerra, estava em curso, e, por fim, porque as autoridades soviéticas não queriam fazer grande caso do sofrimento judeu, tendo até destruído grande parte da complexo nos anos subsequentes. Ainda assim, as estruturas restantes foram convertidas num museu em 1947. #História