Os rebeldes xiitas Huthis bombardearam esta terça-feira a casa do presidente Hadi no Iémen, rompendo a trégua que havia sido negociada no dia anterior entre milícias e guardas presidenciais, após horas de violentos combates. O Iémen enfrenta assim a mais grave crise dos últimos anos, com os rebeldes Huthi a controlar parte do país, incluindo, desde Setembro de 2014, a capital Sana. Os confrontos ameaçam destruir o processo transição democrática apoiado pelas Nações Unidas. O mesmo foi iniciado em 2011, altura em que o presidente Ali Abdullah Saleh foi forçado a abandonar o poder, depois de um domínio de 40 anos.

Os mais recentes ataques dos rebeldes estarão relacionados com o projeto de uma nova Constituição, que prevê a divisão do país em 6 regiões e que deixaria os Huthis sem acesso ao Mar Vermelho, uma das suas maiores aspirações.

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Em declarações televisivas relatadas pela BBC, o líder rebelde Abdel Malek al-Houthi acusa o presidente Hadi de colocar os seus interesses à frente dos do país e afirma: "Acontece que eles [os líderes políticos] afundaram-se na corrupção e tirania. A nação está a dirigir-se para uma situação trágica e de colapso completo. A situação piorou em todas as frentes - política, económica e de segurança - em larga escala."

O Secretário-geral Ban Ki-moon e o Conselho de Segurança das Nações Unidas expressaram forte preocupação relativamente à situação que se vive no Iémen, apelando a um cessar-fogo imediato e pedindo a reposição da autoridade das legítimas instituições governamentais (informação do UN News Centre).

Nos últimos anos o Iémen esteve envolvido em conflitos internos, motivados por problemas estruturais de acesso desigual ao poder e recursos.

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A instabilidade política provocou a deslocação forçada de populações, o enfraquecimento e corrupção dos governos, a destruição de recursos e de infraestruturas, impossibilitando o desenvolvimento do país mais pobre do Médio Oriente.

Quem são os Huthis

Os Huthis habitam sobretudo a parte norte do Ièmen, junto à fronteira da Arábia Saudita, e constituem cerca de um terço da população iemenita. Pertencem ao ramo xiita do Islão conhecido como Zaidismo. O grupo rebelde formado por Huthis que ocupa atualmente a capital Sana é conhecido como Ansar Allah (Partidários de Deus).

Importância estratégica do Iémen

A estabilidade Iémen é muito importante para os Estados Unidos e seus aliados na região, devido à sua situação geográfica junto à Arábia Saudita, o maior exportador de petróleo a nível mundial. O Iémen é zona de origem de um dos ramos mais ativos da Al Qaeda na Península Arábica, que está a ser combatido pelos EUA, com o apoio do Presidente Hadi.

As vitórias dos Huthis poderão exacerbar as tensões regionais. A Arábia Saudita, o principal poder sunita, acredita que os rebeldes são apoiados a nível militar, financeiro e político pelo seu inimigo xiita, o Irão.