No passado Domingo fez-se história na Índia. Pela primeira vez no país uma mulher transgénero tornou-se presidente de uma cidade. Madhu Bai Kinnar apresentou-se como candidata independente e ganhou as eleições municipais em Raigarh, no estado de Chattisgarh, no centro do país. A mulher venceu o seu rival Mahaveer Guruji, candidato pelo Bharatiya Janata Party's (BJP - Partido nacional hindu) por mais de 4500 votos, de acordo com a comissão eleitoral do estado.

Madhu Kinnar tem 35 anos e é membro da casta Dalit - conhecidos como intocáveis. Até ao momento a sua vida tinha sido passada a cantar e a dançar em comboios para ganhar algum dinheiro.

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Parou de o fazer quando a população lhe pediu para representar a sua comunidade. "As pessoas têm demonstrado fé em mim", afirmou Kinnar depois de vencer as eleições. "Considero esta vitória como o amor e a bênção das pessoas para mim. Vou dar o meu melhor para realizar os seus sonhos", concluiu.

Madhu - cujo real nome é Naresh Chauhan - afirmou que apenas gastou 60 a 70 mil rúpias (cerca de 800 euros) durante a sua campanha. A mulher transgénero referiu que foi o apoio da população que a incentivou a entrar no mundo da política e que foi esse mesmo apoio que fez com que ela se tornasse vencedora.

Se, por um lado, emergiram centenas de mensagens positivas das redes sociais, por outro, os partidos políticos reagiram de forma dura à vitória histórica de Madhu Kinnar. Em resposta, membros do partido BJP afirmaram que foi "uma perda do BJP, não uma vitória da Madhu".

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A vitória de Kinnar é um passo em frente na luta dos transgéneros indianos, que são vítimas do estigma e preconceito e, muitas vezes, perseguidos e explorados pela polícia. Esta vitória acontece nove meses após o Supremo Tribunal da Índia ter decidido que as pessoas transgéneros podem ser legalmente reconhecidas como sendo do género neutro (terceiro género). O termo refere-se a alguém cujo género difere do sexo com que nasceu. As pessoas transgéneros podem identificar-se como homens ou mulheres ou então não se identificarem com nenhum dos dois.