flagelação Não é todos os dias que um grupo de destacados intelectuais, associados às mais reputadas universidades norte-americanas, se oferecem para se submeterem a 100 chicotadas cada. Mas foi essa a proposta que sete membros da Comissão para a Liberdade Religiosa Internacional dos Estados Unidos fez ao governo da Arábia Saudita, com a esperança que Raif Badawi, o jovem blogger que já foi sujeito a 50 golpes de chicote, seja poupado a mais sofrimento. Em carta enviada ao embaixador saudita em Washington, os signatários escreveram as suas opiniões pessoais sobre o caso, que tem merecido atenção e a crítica internacional para a forma dura como reino lida com a dissidência religiosa e filosófica.

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A missiva, datada de 20 de Janeiro, lembra que o país participou na gigantesca manifestação de líderes mundiais e cidadãos comuns em Paris, precisamente com o objectivo de defender a liberdade de expressão e condenar os atentados terroristas dos dias anteriores.

Os subscritores questionam-se como é que essa postura pode ser conciliável com a forma cruel como Raif, fundador de fórum liberal na internet, está a ser tratado. Para fazer a mensagem chegar ao destinatário, disseram ao embaixador que cada um deles estaria preparado para receber 100 chicotadas se isso trouxesse clemência para o blogger, que foi condenado a 10 anos prisão e mil chicotadas, além de uma pesada multa. As primeiras foram-lhe aplicadas no dia 9 de Janeiro, as restantes devem ser-lhe dadas todas as sextas-feiras.

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No entanto, a flagelação foi adiada na semana passada, e será também esta, por motivos de saúde.

Os signatários têm diferentes crenças religiosas. Entre eles, está Katrina Lantos Swett, que dirige a Fundação Lantos, uma organização não-governamental para os direitos humanos que celebra a memória do seu pai, o congressista Tom Lantos, sobrevivente do Holocausto. Também há proeminentes intelectuais católicos, como Roberte George e Mary Ann Glendon, das universidades de Princeton e Harvard, respectivamente. Zuhdi Jasser, líder de um grupo de muçulmanos conservadores (no sentido americano do termo), também faz parte da lista, assim como Hannah Rosenthal, rosto da Federação Judaica de Milwakee, e Eric Schwartz e Daniel Mark, ambos professores com actividade em assuntos judaicos.

Apesar de os pais de Lantos Swett serem judeus, ela converteu-se à fé Mormon. Ela esclareceu que todos os signatários concordaram que não iriam colocar os seus nomes no documento se não estivessem dispostos a sofrer o castigo. A assinatura deu-lhe "uma sensação mais profunda de quão terrorífico pode ser estar à mercê de um governo déspota".

Apelos em nome de Badawi já foram feitos por senadores americanos, por um grupo de vencedores do prémio Nobel da Paz e pela família do blogger, que vive em Montreal, no Canadá. O rei Abdullah pediu ao supremo tribunal que reconsiderasse a sentença, o que dificilmente resultará em algo. #Religião