Membros do Estado Islâmico (ISIS) têm vindo a divulgar, ao longo dos últimos dias, fotografias da execução de homossexuais. Os ataques, que também incluem o apedrejamento de uma mulher adúltera, tiveram, aparentemente, lugar em Mossul, no Iraque, e foram partilhados pelas páginas do ISIS nas redes sociais. As imagens são chocantes: mostram dois homens a serem atirados do topo de um prédio, com uma multidão a assistir à queda mortal, numa execução pública levada a cabo pelo ISIS na província de Nínive. Quais os alegados crimes das vítimas? Serem homossexuais.

Noutras fotos, vê-se uma mulher, acusada de adultério, é apedrejada até à morte e dois homens, acusados de roubo, atados a crucifixos.

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É comum as vítimas serem crucificadas, às vezes depois de mortas, nas execuções públicas do ISIS. Nestas imagens, os membros do grupo aparecem com a cara tapada com máscaras negras e parecem executar os homens crucificados com tiros à queima-roupa, perante uma audiência aparentemente composta habitantes por locais.

Páginas ligadas ao ISIS têm disseminado estas imagens nas redes sociais desde quinta-feira. As contas têm partilhado ficheiros atribuídos ao Gabinete de Informação do mandato de Nínive, uma organização de propaganda, alegadamente ligada ao grupo terrorista. Tudo indica que as execuções públicas tiveram lugar em Mossul, a capital do Estado Islâmico e segunda maior cidade do Iraque, situada na província de Nínive.

Nas áreas do Iraque onde o ISIS tomou o poder, as execuções públicas são comuns.

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Têm sido uma marca da sua interpretação das leis islâmicas, mesmo antes de ter tomado controlo de Mossul e se ter declarado Estado Islâmico. No perfil que traçou do ISIS, Charles Lister, do centro de Doa da Brookings, descreve a visão do ISIS sobre a lei islâmica: "A implementação mais estrita da Sharia [Direito Islâmico] é claramente central para a governação do ISIS. Isso inclui a imposição do hudud (determinados castigos islâmicos para crimes graves); obrigar à presença nas cinco orações diárias; banir drogas, álcool e tabaco; controlar a apresentação pessoal, incluindo as roupas; proibir o jogo, música não-islâmica e mistura de géneros; e ordenar a destruição de templos religiosos, entre outras regras."

Estas execuções públicas nas áreas controladas pelo ISIS fazem cumprir a versão do grupo da Lei Sharia e servem para aterrorizar os residentes, levando-os a uma obediência quase cega. Noutros locais, o ISIS tem utilizado tácticas semelhantes para intimidar os rivais.

As mortes aparecem em imagens de alta resolução, com fotos bem enquadradas. Fazem parte de uma estratégia de informação, muito centrada nas redes sociais. Tal como toda a propaganda que circula na Internet, são facilmente partilháveis e foram publicadas com a intenção de chegar a uma audiência global. Obscenas e impiedosas, são um reflexo do que é a vida sob domínio do ISIS. #Religião