Os Estados Unidos preparam-se para intensificar o seu papel no combate à organização extremista Boko Haram, na Nigéria. Quem o anunciou foi o secretário de Estado americano John Kerry, que esteve hoje na maior cidade do país para encontros com o actual Presidente - Jonathan Goodluck - e o líder da oposição. Numa declaração em Lagos, o norte-americano anunciou que é preciso "ir mais além" no confronto com os extremistas e lamentou as ofensivas de que a Nigéria tem sido alvo, que acusa de terem assassinado "inúmeros civis inocentes".

Para além de manifestar a intenção do governo norte-americano de continuar a ajudar as autoridades nigerianas no combate ao Boko Haram, John Kerry aproveitou a sua presença em Lagos para sublinhar a importância de um clima de paz na Nigéria, aquando das próximas eleições presidenciais.

Publicidade
Publicidade

Estas terão lugar a 14 de Fevereiro e colocarão em disputa os dois principais candidatos por si visitados: Goodluck Jonathan (actual presidente) e Muhammadu Buhari. No seu apelo, o secretário de Estado lembrou ainda que o acto eleitoral vai ser acompanhado "de perto" pela "comunidade internacional". Sempre com a hipotética ameaça de um boicote das eleições por parte do Boko Haram, o norte-americano considerou ainda "imperativo que as eleições se realizem na data prevista".

A visita de John Kerry à Nigéria durante o dia de hoje coincidiu, no calendário, com mais uma ofensiva perpetrada pelo grupo radical islamita Boko Haram no nordeste da Nigéria. Depois de terem tentado, sem sucesso, apoderar-se da cidade-chave de Maiduguri, os terroristas terão conseguido - segundo relatos de elementos do exército, captados pela AFP - conquistar Monguno, uma localidade relativamente próxima da capital do estado de Borno, no nordeste do país.

Publicidade

Recorde-se que o Boko Haram é um grupo extremista islâmico que surgiu no Norte da Nigéria em 2009, empenhado na construção de um califado naquele país, e que já foi associado a organizações como o Estado Islâmico e a Al-Quaeda. Para além da posição radical com que advoga os valores da religião islâmica, o Boko Haram tem também sido notícia pela violência dos ataques, assassinatos e raptos que os seus membros têm perpetrado ao longo dos últimos anos.