A Al Jazeera, grupo de comunicação social do Catar, entrevistou o alemão Jurgen Todenhofer, que arriscou a sua vida ao infiltrar-se num dos grupos terroristas mais perigosos da atualidade, o autoproclamado Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL). Relembre-se que este grupo tem vindo a assassinar vários jornalistas e que a morte do jornalista norte-americano James Foley teve contornos internacionais.

O jornalista alemão começa por dizer que conseguiu os seus contatos no Facebook, através de vários jihadistas alemães e aos poucos foi conseguindo outros contatos no seio do grupo. Até que lhe foi dada a autorização por um dos líderes, com quem manteve conversas durante 7 meses, para a sua estadia no seio do grupo, tendo ficado durante 10 dias, primeiro em Mossul, no Iraque, depois em Raqqa, na Síria.

Publicidade
Publicidade

Todenhofer tem sido crítico das atuações dos estados ocidentais no Iraque e no Afeganistão, nomeadamente da invasão do Iraque em 2003 pelos EUA. Nesta entrevista mostra as suas preocupações relativamente aos efeitos negativos de tais intervenções. Sobre as suas principais sensações sobre o que encontrou, indica três: em primeiro lugar eles são muito mais fortes do que possa parecer, relembrando que conquistaram uma área que é maior que a Grã-Bretanha; salienta também que todos os dias chegam novos guerreiros entusiasmados, com um entusiasmo sobre a sua missão que nunca encontrou em outro sítio que tenha visitado.

A segunda sensação que lhe ficou foi a brutalidade levada a cabo para a proclamada limpeza religiosa. Em terceiro lugar, diz que a estratégia seguida pelo mundo ocidental perante o mundo muçulmano está completamente errada e que os bombardeamentos, em vez de diminuírem o terrorismo, aumentaram estas ações terroristas.

A finalizar a entrevista, Todenhofer indica uma das únicas soluções: só os Sunitas do Iraque têm o poder de contrariar este poder crescente por parte destes Jihadistas radicais, pelo que têm de voltar a ser integrados na sociedade, já que tem sido um erro histórico terem vindo a ser discriminados e excluídos da sociedade pelo governo do Iraque.

Publicidade

#Terrorismo