Dias antes de se submeter a uma dupla mastectomia, uma jovem britânica decidiu fazer uma festa para se despedir dos seus seios. O evento não foi nenhum funeral, nem sequer sombrio, mas uma celebração da vida… e dos peitos. Claira Hermet, apresentadora de rádio e televisão, tem a dupla mastectomia marcada para quarta-feira. A mulher, de 27 anos, viu a sua mãe e a sua irmã morrerem com cancro da mama e decidiu submeter-se a este procedimento depois de saber que tem o gene BRCA1, que aumenta significativamente o risco de vir a ter a doença.

Nos últimos tempos, Claira tem vindo a procurar formas de aceitar esta decisão e de transformá-la em algo positivo.

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Tem escrito, tanto para a BBC como no seu blogue pessoal, sobre a operação e feito vídeos sobre a sua experiência. A jovem diz querer chegar ao maior número de pessoas possível e fazê-las sentir "confiantes". Hermet decidiu também fazer uma festa para se despedir dos seus seios e participou numa sessão de fotos, para ficar com uma recordação de "como eles são agora". A festa, que incluiu cupcakes em forma de seios, foi um sucesso. "Foi uma noite para beber, dançar, celebrar e sentir-me amada e apoiada", escreveu no seu site.

Num texto publicado em Dezembro, Claira disse que tinha tomado a decisão de fazer a mastectomia e que não se sentia com medo, pelo contrário. "Cada vez mais positiva e proactiva", era como se descrevia a si própria. Mas chegar a este ponto não foi fácil. A mãe da apresentadora morreu com cancro da mama quando ela tinha apenas nove anos e, em 2012, a irmã Emily, de 31 anos, faleceu depois de uma longa batalha com a mesma doença.

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Após a morte da irmã, Claira decidiu fazer o teste para o BRCA 1, que deu positivo. "Quando me disseram que tinha o gene, foi um soco no estômago. Fui do hospital para o metro a conter as lágrimas", contou ao The Daily Mail. "Sabia, nesse momento, que tinha de fazer a operação… mas era tão nova, tinha apenas 19 anos. Esta preocupada. Pensei em esperar até estar numa relação estável com um homem que gostasse de mim pelo que eu sou, para não ter medo de que ele me deixasse quando me visse depois da operação. Tudo parecia tão longe", acrescentou.

Foram necessários muitos anos de reflexão e crescimento até aceitar o que lhe estava a acontecer. "A decisão não aconteceu de um dia para o outro. Foi uma longa caminhada e tive de mudar a mim própria primeiro, para perceber que os meus seios não me definem e que se algum homem me fosse deixar não seria por eu os ter perdido", explicou a jovem (que é solteira). "É claro que houve algumas situações em que saí do banho, parei em frente ao espelho e pensei: 'ah, vou ter saudades de vocês os dois'.

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Mas isso não é construtivo e não me alonguei".

Em última análise, diz, a escolha de se submeter à intervenção cirúrgica libertou-a e fê-la sentir-se em controlo da situação. Até a ajudou a ultrapassar as mortes da mãe e da irmã. "Aprendi que só vivemos uma vez. Passei muito tempo da minha vida triste e infeliz. A morte da minha irmã foi um ponto de viragem. Ela não tem a vida dela mas eu tenho a minha. Tenho e vou continuar a lutar por fazer dela uma vida de felicidade, positivismo e propósito", concluiu. #Famosos