O Estado Islâmico (EI) está a publicar via Twitter (rede social na qual o grupo tem estado muito activo) a morte de Mikael Batista, de 23 anos. O jovem, cuja família é de Chaves mas emigrou para França há poucos anos, combatia em Kobane as forças da coligação comandada pelos Estados Unidos. Na passada segunda-feira, o português e mais dois jihadistas (francês e belga) foram alegadamente abatidos.

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, revelou ao jornal "Expresso": "É muito difícil obter uma informação proveniente da Síria pelas vias oficiais". Sendo assim, não é ainda uma morte oficialmente confirmada.

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Mas publicações no Twitter como a da mulher de Batista, Raheeq Makhtoum, parecem contar a verdade: "O meu coração está partido, mas eu sei onde te reencontrar. Temos encontro marcado no Paraíso, meu amor. (...) Que Alá te aceite".

Vivendo em Paris quando se juntou ao Estado Islâmico, em Agosto de 2013 Mikael foi para a Síria - onde combatia a partir de Raqqa. Apaixonado por desporto, o jovem permitiu uma entrevista ao "Expresso" onde contou a conversão ao Islão em 2009 e a mudança de nome para Omar. Assumiu ainda que nunca tinha usado uma arma antes de entrar para a organização terrorista, mas que entretanto o que mais lá gostava de fazer era "treinar e matar". Estando consciente da desilusão da sua família, Batista não se mostrou de todo arrependido: "Porque me iria arrepender? Estou no meio da justiça e da verdade".

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À revista "Sábado", fonte próxima dos serviços secretos franceses conta que também eles tentam confirmar a veracidade das mortes. "Pode ser uma morte encenada para depois poderem circular com mais facilidade", afirma. Há exemplos de mortes simuladas para que depois o indivíduo possa circular em segredo, como o caso descoberto de Imran Khawaja (jihadista inglês).

Mas a obter-se a confirmação, Mikael Batista é o terceiro português a morrer em nome do Estado Islâmico. Sandro Monteiro e José Parente foram as duas primeiras mortes relatadas. No total, encontrar-se-ão na Síria cerca de 10 lusos. Por agora, fica a aguardar-se comprovação formal desta morte.