Um novo número do jornal satírico Charlie Hebdo sai esta quarta-feira para as bancas com um cartoon de Maomé na primeira página. No desenho, o profeta aparece com uma lágrima no canto do olho segurando um cartaz que diz "Je Suis Charlie". Por cima, o título: "tudo está perdoado". Organizações muçulmanas já expressaram a sua preocupação com as reacções à primeira capa do periódico após os atentados terroristas da semana passada que abriram um aceso debate sobre a #Religião e a liberdade de expressão.

Grupos muçulmanos em França, e um pouco por todo o mundo, estão preocupados com que o possa acontecer esta quarta-feira quando a nova edição do jornal começar a circular.

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No Egipto, Dar al-Ifta, o líder de uma das mais importantes autoridades islâmicas, alertou que este novo cartoon, ilustrando o profeta Maomé, poderá aumentar as tensões entre o Ocidente e o mundo islâmico. Há registos de ameaças de morte que circulam na Internet contra os membros do Charlie Hebdo que sobreviveram ao recente ataque.

As instalações do jornal foram atacadas na passada quarta-feira, aparentemente em retaliação contra a publicação recorrente de cartoons que satirizavam ou ridicularizavam o profeta. Algumas interpretações da lei islâmica proíbem esse tipo de imagens. Os sobreviventes do atentado disseram que iriam continuar nessa linha no próximo número.

A nova edição - cuja capa já foi amplamente disseminada pelas redes sociais - terá uma tiragem de três milhões de exemplares, ao contrário das habituais 60 mil cópias.

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Em França, organizações muçulmanas emitiram um comunicado conjunto em que expressam a sua preocupação pelos "numerosos actos anti-Muçulmanos observados por estes dias" e apelam às autoridades que garantam a segurança das mesquitas. A declaração também abordava a nova capa do Charlie Hebdo, pedindo aos Muçulmanos francesas que "mantenham a calma e evitem reacções emotivas ou incongruentes, incompatíveis com a dignidade" e que "respeitem a liberdade de opinião".

No Egipto, Dar al-Ifta pediu ao governo francês que "anunciasse o seu repúdio por este acto racista" que poderá levar a um escalar da "tensão religiosa e do sectarismo, aprofundando o ódio". Esta afirmação traz à memória as palavras proferidas por alguns clérigos egípcios em 2006, quando outros cartoons de Maomé foram publicados em jornais europeus, provocando uma onda de protestos - alguns deles violentos - em muitas partes do mundo Muçulmano.