Em conformidade com o que tinha prometido no início do novo ano, o presidente italiano, Giorgio Napolitano, deixou de exercer funções de Presidente da República na passada semana. Napolitano foi eleito em Maio de 2006 e em Abril de 2013, como consequência da grave crise política, viu-se obrigado a continuar em funções durante mais um mandato, que desde logo disse que seria temporário. Nas palavras de Napolitano, este período foi "um parêntese à exceção constitucional". Agora, terminado este período, é altura de se eleger o seu sucessor.

Giorgio Napolitano, hoje com 89 anos, confessa que nunca pensou presidir à Itália nesta fase de grande agitação política.

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No seu caminho enquanto Presidente da República teve de enfrentar uma crise financeira internacional e mundial, o perigo do colapso da economia e a incapacidade de Berlusconi em dar respostas adequadas aos problemas com que o país se deparava. Neste contexto de grande instabilidade política e económica, viu-se forçado em 2013 a convocar eleições antecipadas, cujo resultado não foi o que esperava, ou seja, o colégio eleitoral não conseguiu obter uma maioria e Napolitano acabou por permanecer no cargo durante mais algum tempo. Ainda que o Primeiro-Ministro italiano, Matteo Renzi, tivesse tentado convencer Napolitano a continuar, este acabou por renunciar ao seu cargo.

Em virtude desta renúncia, o Parlamento e os representantes das várias regiões têm encontro marcado para o final de Janeiro, quando começará a primeira de três votações em que é impreterível a existência de uma maioria de dois terços para que, posteriormente, um candidato possa obter a maioria absoluta.

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Enquanto não é eleito o novo Presidente da República, as funções ficarão a cargo do Presidente do Senado, Piero Grasso.

Esta nova eleição será fulcral para o futuro de Itália e Napolitano sabe-o melhor do que ninguém. Desta forma, aquando do seu último discurso, fez questão de frisar que o seu sucessor terá de ter, obrigatoriamente, "sentido de nação" ou seja, terá de ser capaz de reunir consensos e de depositar confiança nos italianos para que o país possa crescer a nível económico e para que cessem, de uma vez por todas, os conflitos políticos.