Em recessão desde o ano de 2008, a Grécia foi a votos este domingo. Como, de resto, já apontavam as sondagens dos últimos dias, a coligação Syriza confirmou a vitória (sem maioria absoluta) com 36,38% dos votos (à hora de fecho desta edição estavam contados 95% dos votos), pelo que Alexis Tsipras, líder daquele partido, tem agora três dias para formar governo. Num país em que o desemprego ronda os 25%, e em que cerca de 20% da população vive no limiar da pobreza, a missão de Tsipras assume contornos hercúleos. Porém, o novo primeiro-ministro grego mostra-se confiante e optimista para os tempos que se avizinham, no dia em que a Grécia "virou a página" e disse "adeus à austeridade".

Publicidade
Publicidade

Engenheiro Civil de formação e dirigente máximo do Syriza desde 2012, Alexis Tsipras, de 40 anos, começou por realçar o "momento histórico" que se vive na Grécia. "Este domingo o povo grego escreveu história. A esperança escreveu história. A mensagem transmitida hoje pelo povo grego é clara: um mandato incontestável". A crise económico-financeira explodiu na Grécia em 2010, ano que marcou a entrada da troika (FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia) em território helénico.

No entanto, com a vitória do partido da esquerda radical, uma nova relação será estabelecida com a troika. É Tsipras quem o diz: "A Grécia deixa para trás a austeridade, a prepotência e o medo. A Grécia deixa para trás cinco anos de humilhação e dor", salientou o líder do Syriza, que não deixou de sublinhar que "estará disposto a colaborar" com os parceiros da Grécia uma "solução justa e viável" que permita aquele país sair do "círculo vicioso da dívida" em que se encontra.

Publicidade

Apesar da vitória expressiva, Tsipras mostra-se ciente daquilo que representa este resultado histórico. "Temos noção que o povo grego não nos está a dar um cheque em branco, mas sim um mandato para fazer renascer a nossa pátria, para a salvação social da Grécia", frisou. Os trabalhos de negociações com os parceiros da Grécia têm início esta segunda-feira, na reunião do Eurogrupo, e Alexis Tsipras deixa o aviso: "O nosso Governo vai provar que todas as Cassandras [personagem da mitologia grega ligada à destruição e catástrofe] deste mundo estão erradas. Não haverá a catástrofe, mas também não vamos continuar submissos à austeridade". #Eleições