Esta noite, cerca de 12 horas após o ataque ao jornal satírico parisiense Charlie Hebdo, o mais jovem dos atacantes ter-se-á entregado voluntariamente à polícia. Já anteriormente as autoridades francesas haviam identificado estes homens como Said Kouachi e Cherif Kouachi, irmãos de nacionalidade francesa e ambos na casa dos 30, e Hamyd Mourad, este um jovem de apenas 18 anos. Cherif Kouachi terá aparentemente estado ligado a movimentos extremistas desde 2005, e em 2008 já fora acusado de atividades terroristas, acabando por passar 18 meses preso. A identidade e paradeiro dos suspeitos terá sido depreendida depois de a polícia parisiense ter ficado em posse de um bilhete de identidade que havia sido deixado para trás por um dos atacantes enquanto este fugia da polícia.

Publicidade
Publicidade

Entretanto esta noite foram levados a cabo raides policiais na zona de Reims, onde Mourad vivia, com vista a obter informações sobre o paradeiro dos suspeitos ainda a monte.

O ataque, perpetrado na manhã de quarta-feira, causou a morte de 12 pessoas, incluindo dois polícias, e mais 11 feridos. Os atacantes, armados com espingardas automáticas Kalashnikov, demonstraram incrível crueldade, executando um polícia a sangue-frio, e gritaram repetidas vezes "Allahu akbar", ou "Deus é grande". Depois fugiram num carro, que mais tarde abandonaram, num incidente em que foi morto outro agente. De seguida apreenderem o carro de um transeunte e retomarem a fuga à polícia.

A reação internacional não se fez esperar, com vozes vindas de todo o mundo e de todos os sectores das sociedades a condenar o ataque, incluindo Vladimir Putin e Recep Erdogan.

Publicidade

Os ataques foram vistos como uma agressão à liberdade de expressão e valores ocidentais, com o Presidente François Hollande a fazer uma declaração, pouco tempo após os mesmo, em que os descrevia como sendo de "excecional barbárie". Mesmo líderes religiosos islâmicos na Europa condenaram tais intenções. No entanto, e talvez como esperado, organizações como o Estado Islâmico e a al-Qaeda aplaudiram o massacre.

Na Internet as reações foram igualmente sentidas, e rapidamente se criou um movimento batizado "Je suis Charlie" em solidariedade para com as vítimas. Este movimento trouxe, esta noite, às ruas milhares de pessoas por toda a França, em manifestações de apoio às vítimas e condenação destes atos. Entretanto as autoridades francesas colocaram o nível de alerta nacional no máximo e iniciaram uma caça ao homem que envolve 800 militares. Com Mourad agora em custódia, a perseguição aos irmãos Kouachi continua.