Os últimos meses parecem estar a ser especialmente duros para os militantes dos Estado Islâmico (EI). As tropas curdas continuam a avançar, declarando já dominar grande parte da cidade fronteiriça de Kobane, e rompendo cercos noutras regiões da Síria e também do Iraque. Os ataques aéreos da coligação liderada pelos Estados Unidos continuam, e informações, que surgem aqui e ali, indicam execuções em massa de possíveis desertores. A mais recente notícia de importância deste teatro é a de que um oficial de patente elevada da força policial afiliada ao EI, que controla os sectores civis das áreas controladas pela organização, foi encontrado morto perto de uma central energética em al-Mayadeen, no Leste da Síria.

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De nacionalidade egípcia, este homem teria participado em execuções e decapitações, tendo sido ele mesmo decapitado.

Já anteriormente se haviam dado ataques a oficiais do EI nesta região, sendo este apenas o mais recente desta série de incidentes. O homem, chamado de "emir" da força local foi ainda torturado antes de ser executado. Também tinha um cigarro nos lábios e uma mensagem que declarava "Isto é maldade, seu Sheik". Neste momento é impossível saber se a sua morte foi causada por locais ou pelo próprio EI, mas é necessário ter em conta que a organização proibiu o ato de fumar em público nos locais sob o seu domínio, assim como diversas outras atividades. Também executou, por decapitação e apedrejamento, diversos indivíduos acusados de não cumprirem os estritos comportamentos aceites pela sua visão extremista do islamismo.

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O domínio do EI é extremamente brutal e violento, sendo as populações geralmente coagidas pelo medo. Populações minoritárias são ativamente perseguidas, os seus membros executados ou escravizados. Para além disso, a organização também fez ameaças a diversos países, vizinhos e não só, assumindo o objetivo de ocupar o Médio Oriente e grandes áreas do Norte de África e Europa. As suas forças militares, que se estima contarem com 30.000 tropas, a maioria dos quais recrutados sob coação dos 8 milhões de pessoas sob o seu controlo, são constituídas em redor de um núcleo duro de pouco mais de 12.000 combatentes fanáticos, vindos de vários cantos do mundo. Estão sobretudo equipadas com armamento capturado dos exércitos sírio e iraquiano, incluindo algumas armas e veículos sofisticados. Não obstante a sua brutalidade serão, portanto, uma força a respeitar, agressiva e inventiva. Apesar dos possíveis contratempos que possam estar a enfrentar, a verdade é que o combate contra o EI será ainda longo e duro, e capaz de muitas reviravoltas. O exemplo disso é o aparente falhanço de uma tentativa americana de resgatar o piloto jordano que caíu na Síria no mês passado.