Quatro pesos-pesados do Silicon Valley, talvez as quatro principais empresas, incluindo a Apple e o Google, chegaram a um acordo para resolver uma acção colectiva de anti-concorrência. Esta ação havia sido interposta por trabalhadores das áreas de tecnologia, que acusaram as empresas de conspirar para que, entre elas, não houvesse "trocas" de empregados. Ou seja, para que uma das empresas não pudesse apresentar propostas de emprego a trabalhadores de outra das empresas envolvidas. Os queixosos acusaram a #Apple, o #Google, a Intel e a Adobe, através de uma acção judicial em 2011, de limitar a mobilidade profissional e, como resultado, congelar os salários.

Em 2009 surgiram rumores de que a Apple e o Google teriam um "acordo não oficial" para não "roubarem" empregados entre si, pelo menos enquanto a chefia da Apple era feita por Eric Schmidt. Recorde-se que Schmidt era, nesta altura, membro da Comissão Administrativa tanto do Google como da Apple. Este conflito de interesses foi um dos factores que levou ao seu afastamento da Apple, em agosto de 2009. Embora não tenha existido nenhum acordo formal, tornou-se óbvio que, a existir, isto provocaria um estado de concorrência desleal entre as empresas que dispõem dos melhores dos melhores, em termos de talentos de engenharia de software. O caso foi acompanhado de perto por causa da possibilidade de serem atribuídas grandes compensações e pela oportunidade de se espreitar à força como funcionam internamente algumas das empresas de tecnologia de elite da América. #Negócios

A juíza distrital Lucy Koh, em San José, Califórnia, rejeitou no ano passado um acordo de 324.5 milhões de dólares, considerando-o "muito reduzido", após a oposição de um dos queixosos. Esse mesmo trabalhador, segundo o seu advogado, Daniel Girard, irá apoiar o novo acordo, o que poderá resultar num pagamento conjunto de 415 milhões de dólares, segundo reportou o New York Times, citando uma pessoa próxima às negociações. Um porta-voz da Intel confirmou ao site ZDNet que teriam chegado a um novo acordo, no entanto, os termos do mesmo são confidenciais até que seja apresentado em tribunal. As restantes empresas do Silicon Valley não responderam aos pedidos para comentar o assunto.


O caso foi amplamente baseado em e-mails, onde o co-fundador da Apple, Steve Jobs, o ex-CEO do Google, Eric Schmidt, e alguns de seus rivais detalharam planos para evitar a caça furtiva entre os engenheiros de topo uns dos outros. Ao rejeitar o acordo de 324.5 milhões de dólares, a juíza Koh referiu repetidamente um processo de 2013, relacionado com um acordo judicial envolvendo a Disney e a Intuit. Os trabalhadores da Apple e do Google receberiam, proporcionalmente se esse acordo fosse aceite, uma recompensa menor do que os trabalhadores da Disney, segundo escreveu a juíza, embora os advogados de acusação deste processo tivessem "muito mais bases" contra a Apple e o Google.


Para ser coerente com o acórdão anterior, o acordo com a Apple, Google, Intel e Adobe "teria de ser pelo menos de 380 milhões de dólares", escreveu Koh. Na curta audiência de tribunal que ocorreu na passada terça-feira, as empresas disseram que iriam apresentar uma explicação detalhada sobre o novo acordo "em breve". Koh decidirá então se o aceita ou não. A ação foi agendada para ir a julgamento em abril.