O Papa Francisco declarou que os católicos não devem reproduzir-se "como coelhos", ainda que a Igreja Romana proíba os métodos contraceptivos não naturais. A expressão popular foi utilizada durante a conferência de imprensa a bordo do avião que levou o papa de volta a Roma, após a viagem às Filipinas. A questão foi levantada devido a uma polémica neste país asiático, onde a Igreja se opõe a uma lei que pretende tornar os meios contraceptivos de mais fácil acesso. Francisco mencionou o exemplo concreto de uma mulher que, após passar por sete cesarianas, havia engravidado novamente. Segundo o Papa, esse foi um "acto de irresponsabilidade". 


Os sectores mais conservadores da Igreja já reagiram com receio a esta declaração aberta de Francisco. No britânico Spectator, um comentador referia que, ainda que a Igreja não tenha passado a permitir os métodos contraceptivos não naturais, os média "vão pegar nesta frase" para passar a ideia de que, afinal, a Igreja favorece a contracepção. Os conservadores receiam que esta declaração seja colocada a par de outra, que se tornou célebre: "quem sou eu para julgar", falando o Papa dos homossexuais. Contudo, Francisco não referiu nada que não esteja previsto já: a Igreja Católica admite o método natural, de observação do ciclo feminino, como método contraceptivo.

O Papa Francisco terminou desta forma uma viagem que o levou pela Ásia e que culminou naquela que foi, provavelmente, a maior cerimónia papal de sempre. Estima-se que entre 6 a 7 milhões de pessoas participaram na missa campal em Manila, capital das Filipinas celebrada pelo Sumo Pontífice. O mau tempo não demoveu a forte afluência, neste que é o maior país católico da Ásia. Na missa, Francisco dirigiu-se pessoalmente aos filipinos, referindo que eles são "os missionários da Ásia", tendo falado também contra a corrupção, pela defesa do meio ambiente e pelo que a Igreja considera os "ataques à família". Anteriormente, Francisco havia deixado uma posição comum a todas as religiões, em oposição aos ateus e agnósticos: o facto de a liberdade de expressão não dever ultrapassar os limites ditados pelas crenças religiosas. #Religião

De acordo com a Wikipédia, as Filipinas são, além do maior país católico da Ásia, o terceiro país com mais população católica (80 milhões) do mundo. Nascido da colonização espanhola no Extremo Oriente, o país só perde para o Brasil (127 milhões) e do México (97 milhões). A área metropolitana de Manila tem cerca de 12 milhões de habitantes.