Esta manhã, no Palácio do Eliseu (local da residência oficial do Presidente da República francês) Marine le Pen, a líder da Frente Nacional Francesa, disse que a França está neste momento numa situação de guerra iminente contra o fundamentalismo islâmico, lastimou ser a única reconhecê-lo e acusou o governo de "sectarismo".

Desde que ocorreu o ataque ao jornal satírico Charlie Hebdo vários dirigentes partidários têm conferenciado com o Presidente francês, François Hollande. Le Pen, uma das últimas personalidades políticas a fazê-lo, tem apelado incessantemente à união nacional e tem tido o cuidado de frisar que este ataque deverá ser visto como a exceção à regra, ou seja, a partir de hoje, segundo a líder da Frente Nacional, a comunidade muçulmana não deverá ser vista com desprezo ou ser alvo de discriminações.

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Le Pen, tal como outros membros do Governo francês, alerta para a necessidade do reforço da segurança. Contudo, a líder da Frente Nacional é mais radical, não tendo problemas de ferir suscetibilidades ao afirmar que o ataque terrorista teve a sua origem no islão radical. Quando questionada pela imprensa francesa, Le Pen afirmou que é fundamental que a França acione todos os mecanismos necessários para lutar contra o seu principal inimigo, o fundamentalismo islâmico, e que o mais importante para vencer qualquer guerra é saber quem é o inimigo. Neste sentido, Le Pen acusa Hollande de nunca ter referido publicamente qual é o principal adversário da França, e refere que não admiti-lo é " um sinal de fraqueza".

Talvez estas afirmações expliquem o facto de Le Pen e o seu partido não terem sido convidados para a "marcha republicana" que acontecerá no próximo domingo.

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Esta será um sinal de união e de condenação perante o fenómeno do terrorismo. A UMP não poupou as críticas por esta decisão, visto que o Presidente da República francês tinha anunciado que todos os cidadãos "poderiam comparecer na manifestação". Todavia Le Pen não recebeu qualquer convite. Anteriormente, Le Pen já tinha dito publicamente que não compareceria na manifestação sem qualquer convite, e que a ação de Hollande tinha constituído um ataque à Frente Nacional.