Esta tarde, sites pertencentes ao Comando Central dos Estados Unidos, uma organização criada em 1983 para controlar ações militares feitas por Washington DC nas regiões do Médio Oriente e Ásia Central, foram atacados por piratas informáticos que os alteraram, de modo a que apresentassem mensagens assinadas pelo Estado Islâmico. Os sites em questão foram o YouTube e o Twitter, onde o Departamento de Estado Americano apresenta informações relativas às suas campanhas. As mensagens agora veiculadas pelos piratas do EI, contudo, apresentam ameaças às tropas e interesses americanos, e a sua presença foi tomada muito a sério por representantes do governo americano, que admitiram que iriam tomar as medidas adequadas à situação.

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Este ataque informático surge após uma semana marcada por ataques violentos um pouco por todo o mundo, sendo o mais mediático aquele que vitimou jornalistas e polícias franceses em Paris, e que terminou com violentos tiroteios que levaram à morte de três terroristas.

Apesar da espetacularidade deste ataque, não obstante a sua aparente pequenez em comparação com o que sucedeu nos últimos dias, convém ter em conta que, como afirmou o analista da BBC Dave Lee, este não afetou as estruturas da organização americana, mas apenas sites periféricos através dos quais a mesma contacta com o povo americano e outros curiosos. Não deixa, contudo, de ser visto como humilhante para o Departamento de Estado, sobretudo na altura em que o Presidente Obama apresentava um importante discurso acerca do ciberterrorismo e das medidas feitas para a sua prevenção, após diversas situações que ocorreram no ano que passou, incluindo o mediático ataque à Sony Pictures.

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O EI também veio afirmar que havia conseguido entrar nas bases de dados americanas e capturar dados confidenciais. Evidentemente que o público não seria abertamente informado de uma tal quebra de segurança mas, no entanto, essa parece pouco plausível. Instâncias como o YouTube são relativamente fáceis de atacar, em comparação com algo como as bases de dados do Departamento de Defesa americano, pelo que ambas as operações não se encontram sequer dentro do mesmo espectro.

Mais uma vez, os extremistas islâmicos parecem tentar de tudo para reclamar a iniciativa sobre os poderes ocidentais, sobretudo tendo em conta que no terreno, o EI sofreu alguns revezes durante o final do ano. Pior ainda, contudo, é a possibilidade de estas organizações melhorarem as suas capacidades de guerra cibernética. As sociedades contra as quais estas se insurgem são, em grande medida, muito dependentes da sua infraestrutura digital, inclusive na defesa, saúde e banca, o que torna este um ponto sensível de ataques determinados. O discurso de Obama seria, pois, muito importante para acalmar os ânimos daqueles que veem a possibilidade anti-civilizacional de uma guerra cibernética sem escrúpulos.