Depois do atentado à redação do semanário Charlie Hebdo, no passado dia 7, onde foi ceifada a vida de 12 jornalistas e cartoonistas, o jornal já tem capa para a nova edição especial. Sai esta quarta-feira com uma tiragem de 3 milhões de exemplares, elaborado pelos membros da equipa que sobreviveram à tragédia. A capa foi revelada através do sítio do Jornal Liberation, cujas instalações, em Paris, albergam os membros da equipa de Charlie Hebdo, na sequência de uma morte anunciada para esta publicação. Uma edição que contraria as probabilidades de fecho e que pretende homenagear todos aqueles que na semana passada perderam a vida - em pleno exercício da sua liberdade de expressão e opinião.

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No sítio do semanário satírico, encontramos uma legitimação para a edição de quarta-feira, que sairá para as bancas precisamente uma semana após o atentado: "Porque a liberdade é um direito universal…"; "Porque vocês nos apoiam"; E, por último, pode ler-se "Charlie Hebdo, o jornal dos sobreviventes (…)".

Primeiro foi Richard Malka, advogado do jornal, que confirmou que o mesmo voltaria a sair para as bancas no próximo dia 14 e que iria, "naturalmente", incluir tanto cartoons do profeta Maomé, como ainda diversas sátiras, visando outras religiões. Em declarações à France Info Radio, e falando em nome do jornal, Richard advertiu que não iriam desistir, "caso contrário tudo isto não terá significado nada". De acordo com Patrick Pellou, um dos colunistas do jornal, a edição da próxima quarta irá ser traduzida em 16 línguas.

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Por último, foi através do histórico jornal Liberation - diário fundado em 1973 pelo filósofo e humanista Jean-Paul Sartre, juntamente com o jornalista Serge July - que se levantou o véu desta próxima publicação. Com efeito, o número 1178 do Charlie Hebdo servirá para mostrar ao mundo que a liberdade de expressão não morreu e que a sátira prevalecerá.

Na capa, de cor verde, pode ver-se a caricatura de um profeta Maomé lavado em lágrimas, segurando um papel onde se lê: "Eu sou Charlie". Por cima de semelhante figura, está aquilo que promete ser o mote desta edição: "Estão todos perdoados".