A edição número 1178 do Charlie Hebdo nunca será esquecida. O dia 14 de Janeiro de 2015 veste-se agora de significado histórico, uma vez que marca o regresso às bancas daquele jornal satírico francês, exactamente uma semana após o atentado terrorista que tirou a vida a 12 pessoas. Ontem, quarta-feira, os exemplares colocados em 27 mil pontos de venda em território francês voaram em poucas horas. Para se ter uma ideia da corrida aos quiosques, por volta das 8h locais (menos uma em Portugal Continental) já se denotava algum descontentamento por parte de clientes que não foram a tempo de adquirir o jornal.

Esta sexta-feira, dia 16, está prevista a chegada de 500 exemplares do Charlie aos quiosques portugueses.

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Porém, não são conhecidos ao certo os locais em que será comercializada aquela publicação. A International News Portugal (INP), importadora e distribuidora de publicações em solo português, salientou apenas à Agência Lusa que o jornal satírico pode ser adquirido nos pontos de venda que "habitualmente comercializam imprensa estrangeira". A Vasp - Distribuidora de Publicações, por seu turno, também não adiantou mais pormenores sobre este ponto, dado que a informação é considerada "confidencial". Mas uma coisa é certa: quer a INP, quer a Vasp abdicaram das respectivas margens de comercialização, pelo que as receitas desta edição especial serão dirigidas por inteiro ao editor do Charlie Hebdo.

Em Portugal, quem quiser ficar com um pedaço da história do Charlie Hebdo terá que desembolsar 3,50€.

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Anabela Almeida, da papelaria Leitura & Mimos Lda., localizada em Massamá, encomendou 35 exemplares, mas não tem certeza sobre quantos irá receber. Citada pelo Público, a comerciante, que até então nunca comercializara qualquer Charlie Hebdo, depressa procurou "saber" por aquela publicação, depois de um número considerável de clientes lhe perguntar se iria ter o jornal. "Não costumo ter jornais estrangeiros porque esta não é uma zona de turismo", sublinhou.

Recorde-se que a capa desta edição histórica do semanário francês, que conta com apenas 8 páginas, em detrimento das 16 habituais, é constituída pelo Profeta Maomé, que a chorar, diz também ser "Charlie". Por cima pode ler-se "Tudo está perdoado". A capa é assinada pelo cartoonista Luz (Renald Luzier), que não engrossou a lista de vítimas do atentando por ter chegado atrasado à reunião do fatídico dia 7 de Janeiro de 2015.