O blogger saudita Raif Badawi, de 31 anos, foi condenado pelas autoridades de Riade a dez anos de prisão, mil chicotadas repartidas por vinte semanas, dez anos sem poder sair do país (período que começa depois de sair da prisão) e uma multa de um milhão de riyals sauditas (cerca de duzentos mil euros). Foi, ainda, banido de utilizar ou aparecer em quaisquer órgãos de comunicação social. A "violação dos valores islâmicos", "a propagação do pensamento liberal" e a "ridicularização das autoridades islâmicas" do país foram as razões para a condenação. Raif Badawi é um defensor da liberdade de expressão e do secularismo (divisão dos poderes da Igreja e da Política).

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O jornalista e escritor saudita já sofreu a primeira sessão de chicotadas públicas, decorrida no dia 8 de Janeiro, numa praça pública em Jidá, no fim das orações do meio-dia. Foi chicoteado cinquenta vezes, sem chorar, algemado e em silêncio. Cada sessão tem a duração de, aproximadamente, quinze minutos e decorre no exterior da Mesquita de Al-Jafali. A segunda sessão, que se encontrava marcada para o dia 16 do presente mês, foi suspensa devido às más condições físicas e de saúde de Raif. A sua mulher, Ensaf Haidar (que se encontra exilada no Canadá, juntamente com os três filhos do casal), teme que o marido não resista à segunda flagelação.

Raif foi detido pelas opiniões que veiculava no fórum que criou online, intitulado "Liberais Sauditas", que fomentavam o debate social, religioso e político.

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Neste blogue, fundado juntamente com a activista Suad al-Shammari, era defendido o fim da influência da #Religião na vida pública da Arábia Saudita: para além disso, os artigos eram considerados anti-islâmicos e um insulto ao Islão e às suas autoridades religiosas. Um tribunal saudita ordenou que o website fosse fechado permanentemente por ser considerado liberal e os procuradores pretendiam que Raif Badawi fosse julgado por renegação da fé (apostasia) que pode levar à pena de morte no país saudita.

O caso de Raif Badawi é um verdadeiro ataque à liberdade de expressão e de opinião. A Amnistia Internacional criou uma petição que conta já com mais de 15 mil assinaturas e que exige a imediata libertação de Raif Badawi, culpado por não mais do que exprimir a sua opinião.